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Associativismo, Projetos e Iniciativas dos povos indígenas do Rio Negro

Associativismo indígena em destaque no Rio Negro: COITUA realiza I Encontro de Consolidação da Gestão do Associativismo Indígena – Pensando Alternativas com os Povos Indígenas da Calha do Uaupés, Rio Tiquié e Afluentes

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Foirn realiza o I Encontro de Consolidação da Gestão do Associativismo Indígena – Pensando Alternativas com os Povos Indígenas da Calha do Uaupés, Rio Tiquié e Afluentes, entre os dias 19 e 21 de maio, em Taracuá, no noroeste amazônico. 

Fortalecer as associações de base para aumentar a autonomia dos povos indígenas através da autogestão dos seus territórios foi o tema central do encontro de lideranças e representantes das associações da região da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Tiquié, Uaupés e Afluentes (Coitua). Com a presença de nomes de referência para o movimento indígena do Rio Negro, como Benedito Machado, Álvaro Tukano, Sebastião Duarte, Luís Lana e Severiano Sampaio, o encontro teve como objetivo motivar os líderes e jovens das associações de base a expor suas dificuldades e pensar novas propostas de autogestão. O encontro teve o apoio da Funai e do Instituto Socioambiental (ISA).

Para o vice-presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Nildo Fontes, o mais importante no momento é que as associações de base se organizem internamente, façam seus planos de ação e de metas e, assim, sejam capazes de ter maior governança em suas regiões. “A Federação foi criada porque já existiam associações de base, que são as referências políticas locais. No entanto, atualmente, várias associações estão com pouca atividade. Isso precisa mudar. A reorganização das associações é fundamental para esse processo de autogestão”, ressaltou Nildo, acrescentando a importância de se envolver os educadores indígenas nestes debates, preparando-os para as novas demandas que surgem nas comunidades.

As conquistas do associativismo indígena nas últimas décadas também foram enaltecidas, como a educação escolar indígena do Rio Negro e o DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena). Na visão de Domingos Barreto, coordenador regional da Funai em São Gabriel da Cachoeira, esse encontro foi um momento crucial para as associações fazerem uma autocrítica e ajustar os rumos de suas gestões. “Sustentabilidade, autogoverno e interesses coletivos, todos esses pontos são fundamentais para a governança do território indígena. E precisamos ver o envolvimento dos jovens nesses assuntos porque serão eles que vão tocar os projetos daqui para a frente”.

Grupos de trabalho e propostas

Com a presença de lideranças das associações de base da região da Coitua, o encontro motivou também a reflexão sobre os planos de gestão territorial e ambiental (PGTA) que estão em fase de produção nas Terras Indígenas do Alto e Médio Rio Negro. Divididos por oito grupos de trabalho (GTs), as associações expuseram algumas de suas dificuldades, propostas e desafios. “É uma região muito extensa, de difícil acesso e que precisa trabalhar de modo integrado. Temos que estar juntos e buscar apoio para fazer os projetos saírem do papel”, destacou Domingos Barreto.

Atividades econômicas tradicionais da região, como a produção de cerâmica feita pelas mulheres de Taracuá através da Associação das Mulheres Indígenas da região de Taracuá (Amirt), assim como novas possibilidades de negócios sustentáveis, como a extração da copaíba, uso do cipó titica e plantação de ananás, estiveram entre os temas abordados nos GTs. Dificuldade de escoamento da produção e concretização de planos de negócios para alavancar os empreendimentos foram vistos como os primeiros desafios a serem enfrentados. “Precisamos melhorar também o nosso diálogo entre os associados e a comunidade. Isso é vital para que os planos de negócios tenham sucesso”, apontou Armindo Pena, da Organização Indígena da Bela Vista (OIBV).

Aspectos relacionados à cultura tradicional também foram considerados fundamentais ao bem viver na região. Conciliar a necessidade de gerar emprego e renda com o modo de vida da comunidade, é primordial para o sucesso dos novos planos de gestão. “Queremos manter o conhecimento das ervas medicinais, dos ritos de benzimento, assim como a conservação dos nossos lugares sagrados. Precisamos disso para viver. E necessitamos também das nossas atividades econômicas, como a reativação da criação de peixes e aves na comunidade”, ponderou o representante da Organização Indígena do Desenvolvimento Sustentável (OIDSL), Laurentino Viana.

A juventude e a formação de novas lideranças indígenas estiveram entre as principais preocupações das associações. Oséias Marinho, professor e presidente da Associação da Escola de Pari Cachoeira, questionou: “Afinal, o que querem os jovens? Precisamos nos perguntar isso para podermos preparar o aluno em dois ramos do conhecimento, de um lado o das práticas indígenas e do outro o dos saberes científicos e sociais necessários à geração de renda com sustentabilidade nas comunidades”, afirmou. Segundo Marinho, a situação das escolas atualmente é muito precária, inclusive chegando a faltar alimentos para os alunos. “Se um aluno desmaia de fome em sala de aula, fica muito difícil termos avanços na educação”, lamentou.

O encontro de Taracuá contou com a presença de 197 pessoas, de acordo com a lista de presença organizada pela Foirn. Compareceram ao evento representantes e diretores de dez associações de base da região da Coitua. Apenas as organizações de base Aciru e 3 Tic não estiveram presentes, conforme informações do vice-presidente da Foirn, Nildo Fontes. Também foi maciça a participação dos estudantes de Taracuá, além de professores da rede pública, agentes de saúde, representantes dos departamentos de mulheres e de juventude da Foirn e animadores comunitários.

Oficina do PGTA

Todas essas questões do associativismo de base discutidas em Taracuá são relevantes para o processo de desenvolvimento dos planos de gestão (PGTAs) das comunidades indígenas rionegrinas. A Foirn está estimulando o envolvimento das associações de base no processo, visando ampliar o diálogo e a reflexão sobre os melhores rumos para a autogovernança indígena em seus territórios.

É um momento crucial para essas comunidades refletirem sobre os desafios do presente e o futuro que irão construir daqui para a frente. Nesse sentido, entre os dias 29 de maio e 9 de junho próximos, ocorrerá a primeira Oficina do grupo de trabalho do PGTA, que contará com a participação dos coordenadores e lideranças indígenas envolvidas no processo. Os grupos de trabalho se reunirão na Maloca da Foirn, em São Gabriel da Cachoeira, e contarão com a ampla participação da equipe do Programa Rio Negro do ISA.

Publicado no blog do Rio Negro do Instituto Socioambiental.

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Sobre FOIRN - Comunicação

Somos a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro a entidade sem fins lucrativos, fundada em 30 de abril de 1987, para lutar e defender os direitos dos povos indígenas do alto Rio Negro.

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