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Juventude Indígena, Povos Indígenas de Roraima

Assembleia histórica da juventude indígena de Roraima destaca renovação, união e o fortalecimento do movimento indígena

“A luta continua e unidos venceremos” (Um dos gritos de luta expressados durante toda Assembleia).

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Alcebias Mota é o novo coordenador estadual da Juventude Indígena de Roraima

Mesmo diante  de tantos ataques, violações e total afronta aos direitos indígenas conquistados na Constituição Federal Brasileira de 1988, as esperanças se renovam e fortalecem com a coragem da atual geração que assume a luta pela garantia e cumprimento dos direitos conquistados por suas lideranças tradicionais, terra, saúde, educação, sustentabilidade e outros direitos sociais básicos que aos poucos vem sendo retirado pelo próprio Estado brasileiro.

E com o espírito de luta, união, renovação e fortalecimento do movimento indígena, há um mês, a juventude indígena de Roraima realizou a 5ª Assembleia Estadual da Juventude Indígena com o tema: juventude unida fortalecendo a memória e a trajetória do movimento indígena. O evento ocorreu no final do mês de maio, 24 a 27, no tradicional Centro Regional Lago Caracaranã, região da Raposa, Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Uma Assembleia histórica que reuniu mais 800 jovens indígenas de várias regiões do Estado, Serra da Lua, Raposa, Surumu, Baixo Cotingo, Serras, Baixo São Marcos, Amajari, Tabaio, Murupu e Wai-Wai, pertencentes aos povos indígenas Macuxi, Wapichana, Taurepang, Sapará e Wai-Wai, além dos jovens indígenas da cidade de Boa Vista e do povo Warao, que encaram a dura crise do país de origem, Venezuela e buscam amparo em Roraima.

Fortalecendo o movimento de juventude indígena de Roraima, a Assembleia também acolheu organizações locais, Organização das Mulheres Indígenas de Roraima (OMIR), Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIRR), Organização dos Indígenas da Cidade (ODIC), Associação Cultural dos Povos Indígenas de Roraima (KAPOI), assim como de atuação Amazônica, a União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e, participando pela primeira vez de um evento em Roraima na atual direção, a Federal das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).

Para um diálogo, debate e trocas de informações com os órgãos públicos e entidades sociais, os jovens indígenas receberam representantes das instituições, Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Instituto Insikiran da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Instituto Federal de Roraima (IFRR/Amajari), e das entidades sociais, a Diocese de Roraima, Missionários da Consolata e Pastoral da Juventude.

Com uma programação diversificada durante os três dias, palestras, painéis, debates, grupos de trabalhos e apresentações culturais, os jovens indígenas tiveram a oportunidade de ouvir, dialogar e propor sobre os temas abordados: a trajetória do movimento indígena no estado de Roraima; plano de gestão territorial: um olhar sobre o meio ambiente e mudanças climáticas; mídias sociais e acesso às tecnologias: influências na comunidade; papel das organizações indígenas a nível estadual, nacional e internacional; o papel da juventude na atual conjuntura do movimento indígena; e política partidária e eleição 2018: quais impactos aos indígenas.

A Assembleia também elegeu o primeiro coordenador estadual da juventude indígena de Roraima que passou a assumir por dois anos o Núcleo da Juventude Indígena do Conselho Indígena de Roraima (CIR), também em processo de efetividade na organização.

Alcebias Mota Constantino é o primeiro coordenador estadual da juventude indígena de Roraima

Um dos importantes momentos da Assembleia que marca a trajetória do movimento da juventude indígena no atual cenário, foi a eleição do primeiro coordenador estadual da juventude indígena de Roraima, Alcebias Mota Constantino, que assumiu por dois anos o Núcleo da Juventude Indígena no Conselho Indígena de Roraima (CIR). O Núcleo foi aprovado na Ampliada do CIR em 2014, porém, passa a funcionar a partir da atual coordenação que tem como uma das prioridades, o fortalecimento do movimento da juventude indígena.

Para assumir o Núcleo, o jovem Alcebias, 23 anos, do povo Sapará, da comunidade indígena Barro, região do Surumu, Terra Indígena Raposa Serra do Sol foi eleito com 335 votos. Também participaram do processo eletivo, os jovens indígenas, Cirilo Roberto de Souza, da comunidade indígena Raimundão I, região do Tabaio, Daniel Nagelo, da comunidade indígena Morcego, região do Murupu e Josias Lima Cunha, da comunidade indígena Camará, região Baixo Cotingo.  Os jovens pertencem ao povo Macuxi.

Alcebias, formado em Agropecuária e Manejo Ambiental pelo Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), filho de lideranças indígenas, Alcides Constantino e Mariana Mota Tobias, a pajé Mariana, ambos da comunidade Barro, região Surumu, recebeu a coordenação estadual já com os resultados e encaminhamentos da 5ª Assembleia.

Alcebias, formado em Técnico Agropecuária e Manejo Ambiental pelo Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), é filho das lideranças tradicionais , Alcides Constantino e Mariana Mota Tobias, a pajé Mariana, ambos da comunidade Barro, região Surumu.

Sua trajetória com o movimento indígena começou desde pequeno, acompanhando a luta dos seus pais, principalmente, do pai, o líder Alcides, que teve participação direta na luta dos povos indígenas de Roraima. Uma época, segundo ele, de opressão, escravidão e se quer terra para sobrevivência. E hoje, com terra conquistada.

“Buscar de forma coletiva alternativa para o desenvolvimento das comunidades indígenas”, disse Alcebias sobre suas expectativas na coordenação da juventude. Uma coordenação que se resume em responsabilidade, compromisso, coletivo, tanto da juventude quanto das lideranças indígenas.

Alcebias também destaca o aprimoramento das práticas já existentes nas comunidades para que possa fortalecer o movimento da juventude e das comunidades indígenas, seja na organização social, autonomia, ou seja, na sustentabilidade. Apesar das dificuldades e desafios, Alcebias, é consciente de que, dentro das dificuldades, junto com as diferentes regiões, encontrarão as alternativas de realizar uma boa gestão dessa primeira coordenação do Núcleo da Juventude Indígena de Roraima.

Lideranças tradicionais recordam lutas, conquistas e deixam mensagens de coragem e resistência à juventude indígena      

Para as narrativas da trajetória de um movimento indígena que já dura há mais de 40 anos em Roraima, especialmente, a trajetória do Conselho Indígena de Roraima (CIR), que tem 47 anos de Assembleia, os jovens contaram com a presença dos líderes, Jacir José de Souza, do povo Macuxi, Clóvis Ambrósio, do povo Wapichana, Alcides Constantino, do povo Macuxi, além das  mulheres indígenas, Eudina Gabriel, Tereza Pereira, Irani Barbosa dos Santos, Diva Eurico, todas do povo Macuxi da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e de Odete Barroso Tenente, do povo Taurepang, da Terra Indígena Araçá.

O momento trouxe à tona, a memória de tempos de sofrimentos, massacre, opressão, violência, destruição e até morte, expressados com emoção, dor, tristeza, mas também alegria e celebração pelas conquistas históricas. Uma das principais, a conquista pela terra, ou pela “nossa mãe terra”, como expressaram constantemente.

Depois de relatar parte da luta iniciada na década de 1970, Jacir destacou com alegria a renovação da Assembleia, simbolicamente, comparada por ele, como o “esteio do malocão” que se renova a cada temporada. “Estou muito feliz, com a renovação da nossa assembleia, renovação do esteio do nosso malocão”, expressou Jacir a sua alegria, emoção de ver o malocão cheio de jovens, atentos as suas histórias e memórias de uma vivência de luta pela terra, sobretudo a luta bem viver dos povos e suas comunidades indígenas.

Os projetos, as leis, normativas e outras medidas legislativas, executivas e até judiciárias que buscam violar direitos indígenas causam angústia e preocupação, tanto para as lideranças que lutaram pela conquista dos direitos quanto para as atuais que assumem o compromisso de lutar pelas garantias e cumprimentos. Para Jacir, o importante é continuar “unido, firme e com coragem de enfrentar as dificuldades”.

As narrativas do líder Clóvis Ambrósio não foram diferentes, que relembrou a chegada de Cabral ao Brasil, origens da Colonização que marcou para sempre a história dos povos indígenas no país. A incrível memória de líderes, como Clóvis, que recordou os tempos de escravidão, tutela, invasão, opressão, remete à atual geração que, apesar de tempos difíceis, mas como ele mesmo sempre destaca, “hoje, nós temos direitos garantidos e por isso, devemos valorizar e cuidar desse direito que não foi fácil conquistar”, frisou Ambrósio.

Além da conquista territorial, a formação superior indígena é também uma das principais conquistas das últimas décadas. Para Ambrósio, uma das alternativas de usufruto do território é a atuação prática dos profissionais indígenas, estudantes e outros agentes indígenas formados que hoje tem nas comunidades indígenas.

Ambrósio fez um alerta para o ano eleitoral e pediu mais consciência aos jovens principalmente a consciência de eleger representantes indígenas. Um cenário que tem tudo para avançar no pleito de 2018, superando o monopólio político que existe há décadas em Roraima e afirmando de que é possível sim ter representantes indígenas legítimos na esfera legislativa e até executiva do país.

Entre as mulheres tradicionais, Diva Eurico, primeira mulher, Tuxaua, na comunidade indígena Raposa I, em meados da década de 1990.  Eurico relembrou a luta pela conquista da terra indígena Raposa Serra do Sol, “uma batalha que foi dura”, como a mesma destacou.

“Vamos lutar, segurar a nossa mãe terra, plantar para os nossos filhos e netos”, pediu Diva aos jovens indígenas que atentos ouviam e sentiam a coragem de uma mulher que jamais se curvou diante da luta pelo território tradicional. Um território que, apesar dos problemas que ainda enfrentam, “mas é livre, conquistado para a nova geração”, como destacou Diva. .

Odete Barroso Tenente, do povo Taurepang, mulher de tom forte e que inspira coragem, pertencente a uma das terras homologadas em ilhas, a terra indígena Araçá, homologada em 1982, com 50.018 hectares, também deixou a sua simbólica mensagem de coragem aos jovens indígenas.

A trajetória de luta de muitas mulheres lideranças, a maioria está ligada a luta de seus esposos, líderes, Tuxauas, conselheiros, coordenadores e outras funções comunitárias. Esposa do Tuxaua da comunidade indígena Araçá, Raimundo Tenente, já falecido, Odete acompanhou o processo de demarcação e homologação da terra indígena Araçá, um processo que também superou grandes conflitos, como recordado por ela.

“Que a mensagem de força e coragem que estamos passando para vocês, jovens, sirva para continuarem a nossa luta. Não tenham medo de lutar e de falar”, pediu Odete, em um momento bastante histórico para o seu povo, comunidade e região Amajari, com a trajetória do filho no movimento indígena, Enock Barroso Tenente, atual coordenador geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR).

“Eu faço parte dessa luta e quero levar à frente. Essa luta é nossa”, reflexão da jovem, professora e mulher tradicional, Irani Barbosa dos Santos

Fechando a mesa de abertura com o tema “a trajetória do movimento indígena no estado de Roraima”, a professora e hoje, no perfil de liderança tradicional, mulher, jovem, Irani Barbosa dos Santos, do povo Macuxi, deixou reflexões profundas sobre a luta das lideranças indígenas, valorização da cultura indígena, dos costumes, tradições e acima de tudo, da união, fortalecimento e resistência dos povos indígenas frente às negações, violações e retrocessos dos direitos que atinge os povos indígenas em todo Brasil.

Professora Irani, sempre incisiva e emotiva em suas declarações, deixou uma reflexão profunda aos jovens, servindo, principalmente, para os que iniciam a sua caminhada no movimento indígena. Sobre mudanças no contexto do movimento indígena, especialmente, movimento da juventude indígena, Irani destacou a reafirmação pessoal junto à luta, como parte primordial do processo.

“Eu faço parte dessa luta e quero levar à frente. Essa luta é nossa”, refletiu Irani sobre os passos da juventude na continuidade da luta das lideranças indígenas, cuja necessidade de afirmar e reafirmar as escolhas de luta.

Com uma trajetória marcada pela violência, destruição e ameaças na época da demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, Irani presenciou um dos atos de destruição, violência mais duros, que atingiram diretamente mulheres e crianças, o caso de destruição das comunidades indígenas Brilho do Sol, Homologação, Jawari e Tai – Tai, na região do Baixo Cotingo, em 2004, com casas queimadas e destruídas por invasores.

Esse caso é um dos vários cometidos contra os povos indígenas da Raposa Serra do Sol e que até hoje continuam impunes, mas já denunciados à Organização dos Estados Americanos (OEA), conforme acompanhado pelo departamento Jurídico do CIR.

“É uma violência que a gente não vai vê, talvez, nem nossos filhos vejam, mas é uma luta que sentiremos a vida toda, porque está marcada em nós”, aprofundou Irani sobre as “marcas de lutas que não estão marcadas somente no corpo, mas na mente, na alma e que não sairão nunca”, desabafou Barbosa.

“Não existem lutas isoladas, existem lutas coletivas dos povos indígenas”, destacou Irani, uma das forças do movimento indígena e concluiu pontuando que, “enquanto estão negando, retirando direitos, os povos indígenas estão se fortalecendo cada vez mais”.

Organizações indígenas locais e regionais fortalecem o movimento indígena de Roraima

Representantes das organizações indígenas locais, Conselho Indígena de Roraima (CIR), Enock Barroso Tenente, Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIRR), Marcio Feitosa, Organização das Mulheres Indígenas de Roraima (OMIRR), Rosimeires Cavalcante e das organizações indígenas regionais, a União das Mulheres Indígenas de Roraima (UMIAB), Telma Marques, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Mario Nicácio e, pela primeira vez no estado de Roraima na atual direção, Marivelton Baré, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), participaram da mesa com o tema “o papel das organizações indígenas em nível estadual, nacional e internacional”.

Um momento importante em que os jovens indígenas tiveram a oportunidade de conhecer um pouco sobre a atuação, representatividade e também sentir a importância de cada organização que compõe o movimento indígena de Roraima, da Amazônia e do Brasil.

Criada em 2009, na comunidade Krikati, estado do Maranhão, a União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), atualmente, coordenada pela ex-secretária do Movimento de Mulheres Indígenas do CIR, Telma Marques, do povo Taurepang, da região Amajari, desde o ano passado, tem sido referência de luta e conquista de espaço das mulheres indígenas amazônicas. Telma destacou como objetivo da organização, defender os direitos indígenas, os direitos das mulheres, articulação e parceria com organizações indígenas, instituições públicas, para que as mulheres desenvolvam suas ações de sustentabilidade, autonomia e defesa de direitos indígenas.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (COIAB), organização que atua nos nove estados que compõe a Amazônia Brasileira, tem hoje na vice-coordenação, o ex- coordenador do CIR, Mario Nicácio, do povo Wapichana, da região Serra da Lua, exemplo de protagonismo, formação e atuação de jovens lideranças indígenas que, hoje, marcam sua trajetória no movimento indígena nacional e internacional.

Com uma lista extensa de nomes de lideranças tradicionais de Roraima citados durante sua exposição, Nicácio, que é da geração de lideranças indígenas que tiveram acesso à formação acadêmica, sabe que o mais importante no movimento é o conhecimento tradicional adquirido com as lideranças, base de toda militância indígena.

Enquanto COIAB, Mario trouxe a mensagem de luta pelos direitos indígenas, principalmente, territoriais que, apesar de Roraima ter conquistado 46% do território, ainda faltam outras terras a serem demarcadas, como a terra indígena Anzol e Lago da Praia, na região do Murupu, Arapuá, no Tabaio e outras que faltam regularização.

Pontuou que a juventude também precisa de formação para encarar os desafios e citou o caso do ataque ao povo Gamela, no Maranhão, ocorrido ano passado, como um dos casos de violência que os povos indígenas sofrem em defesa dos seus territórios. Também destacou a sustentabilidade dos povos indígenas, como um dos pontos que precisa avançar nas comunidades indígenas e concluiu, pedindo fortalecimento e apoio às lideranças indígenas da Amazônia que atuam em defesa dos direitos indígenas.

Outra participação simbólica e de fortalecimento à luta dos povos indígenas, especialmente, da juventude indígena de Roraima, Marivelton Barroso, do povo Baré, da região de Santa Izabel, no Médio Rio Negro, estado do Amazonas, atualmente, presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), organização que completou 31 anos, no mês de maio, também deixou sua mensagem de fortalecimento. Junto com Marivelton, esteve presente a coordenadora do departamento da Juventude Indígena da FOIRN, a jovem Adelina Sampaio, do povo Dessana.

Inspirando sabedoria, coragem e vontade de promover mudanças no contexto político, social, cultural e econômico dos povos indígenas, Marivelton Baré, trouxe da complexa região Rio Negro, região habitada por 23 distintos povos indígenas, a experiência de fazer gestão de uma das organizações conceituadas da Amazônia. Uma gestão constituída de lideranças jovens, como Marivelton, que aos 27 anos, encara o desafio.

Marivelton compartilhou um pouco da trajetória de criação da FOIRN, com sede no município de São Gabriel da Cachoeira, município mais indígena do Brasil, criada em 30 de abril de 1987 na ocasião de um histórico encontro dos povos indígenas do Rio Negro, uma época de intensa invasão, exploração mineral na região que tomou conta de toda região desde o Médio até o Alto, como é dividida a intensa região do Rio Negro, além dos graves problemas sociais que até hoje afetam os povos indígenas, alcoolismo, drogas, suicídio e outros. Superando os desafios de uma organização, assim como tem sido em várias organizações amazônicas, Baré, destacou como bandeira de luta e unificação dos 23 povos indígenas da região, a demarcação dos territórios indígenas.

“A demarcação foi o ponto principal para que todos abraçassem a causa e partissem para a luta desde a região baixa, médio e Alto Rio Negro”, recordou Marivelton, um pouco sobre a luta dos povos indígenas do Rio Negro para a conquista do extenso território Rio Negro, no final do ano de 1998.

Depois de relatar os desafios e conquistas da FOIRN ao longo desses 31 anos de constituição, Marivelton destacou o desenvolvimento sustentável como um dos desafios de hoje, e como exemplo, citou a loja de artesanato Wariró de incentivo a compra, exposição e venda artesanato. Também da Central Multe Produto, que está sendo construída para incentivar a produção, escoamento e comercialização dos produtos indígenas, farinha, tapioca, beijú, tucupí e outros produtos, que já são reconhecidos como patrimônio imaterial da região.

Entre as conquistas atuais, Marivelton pontuou a estruturação do sistema de comunicação através da criação da Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro, que produz o Boletim de áudio e impresso Wayuri, a formação dos 60 pesquisadores indígenas de monitoramento climático e o incentivo ao movimento da juventude indígena, conforme incluídos no Plano de Gestão Ambiental e Territorial (PGTA), em processo de elaboração na região do Rio Negro. Um processo de construção e pesquisa, feita pelos próprios indígenas.

Como um dos grandes desafios e enfrentamentos dos povos indígenas do Brasil, citou o Projeto de Lei de Mineração 1610/96, Proposta de Emenda Constitucional 215(PEC 215/2000), PL 227, Parecer da AGU, Marco Temporal e outras ameaças do agronegócio e bancada ruralista que está sempre na ameaça de serem votados pelo legislativo.

“Saio daqui reforçando uma luta, espírito de liderança e espero poder construir, porque ainda tem muita conquista pela frente e que possamos no mês de outubro chegar com vitória, não só em Roraima, Amazonas, mas em outros estados do Brasil”, lembrou Marivelton, sobre o pleito de 2018 alertando para as candidaturas indígenas, que precisam ter o apoio indígena.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR), oficialmente, criado em agosto de 1990, com o objetivo de defender os direitos e interesses dos povos indígenas de Roraima, atua em 237 comunidades indígenas e diretamente, nove regiões, Amajari, Baixo Cotingo, Murupu, Tabaio, Serra da Lua, Serras, Surumu, Raposa e Wai-Wai, uma população de aproximadamente 32 mil indígenas em todo estado. Reconhecido internacionalmente pela defesa dos direitos territoriais, o CIR, tem sido um dos principais incentivos de luta, conquista e resistência, de muitas organizações indígenas na Amazônia, Brasil e outros países.

Nos últimos sete anos, apesar das dificuldades enfrentadas, tem avançado nas linhas de atuação, territorial, ambiental, direitos, mulheres, comunicação e o mais recente é o avanço nas discussões sobre a juventude indígena. Há três anos, o tema juventude indígena faz parte dos debates, mas não de forma efetiva na organização e hoje, é visível a atenção que é dada para esse público que só precisa de “oportunidade e de valorização”, como sempre é expresso pelo jovem coordenador geral do CIR, Enock Barroso Tenente, que tem sido inspiração para muitos jovens que hoje estão no cotidiano da organização e do movimento indígena de Roraima.

No contexto sobre representatividade de organização indígena, Enock, expressou que o CIR representa “vida e a luta de vários povos, famílias indígenas”, disse Taurepang ao informar que nos últimos tempos tem sido acompanhando por mais de 20 jovens indígenas que estiveram na sede na CIR, sem recurso nenhum, apenas com boa vontade e coragem de fazer parte e estar mais perto da organização.

Disse que a Assembleia foi feita com sacrifícios, mas acima disso, feita de sonhos, os sonhos dos jovens que se faziam presente na Assembleia, principalmente, daqueles que permaneceram nas comunidades indígenas. “O CIR, somos nós”, expressou o jovem coordenador citando cada jovem indígena que esteve na sede do CIR nos últimos meses, Cirilo Roberto de Souza, Nayandre Nagelo, Daniel Nagelo, Lázaro Alexandre e outros que estiveram na organização e articulação da realização da Assembleia, mas também as lideranças indígenas, professores, mulheres, coordenadores, Tuxauas, que são à base de uma organização que permanece forte e resistente, como o CIR.

Lembrou-se de líderes, alguns presentes, como Jacir José de Souza, Jerônimo de Oliveira, Clovis Ambrósio, Tuxaua Orlando Pereira, Waldir Tobias, Natalina Messias e Jairo Pereira, ambos falecidos, e tantos outros que, segundo Enock, foram e são “essenciais para o fortalecimento da juventude”, concluiu Taurepang.

 Plano de gestão territorial: um olhar sobre o meio ambiente e mudanças climáticas

Outras temáticas importantes também fizeram parte da programação da Assembleia servindo como informação, esclarecimento e resultados de uma organização como o CIR em seus vários contextos.

No painel com o tema “plano de gestão territorial: um olhar sobre o meio ambiente e mudanças climáticas”, que teve como expositora a gestora ambiental e coordenadora do departamento de Gestão Ambiental e Territorial do CIR, Sinéia Bezerra do Vale, do povo Wapichana, os jovens conheceram um pouco sobre os desafios de fazer gestão dos territórios, após vários processos de luta pela terra. Como exemplo, a coordenadora destacou os planos de gestão territorial e ambiental (PGTA), construídos em Roraima, desde 2011 e hoje somam nove planos, o último construído nas regiões do Baixo Cotingo e Raposa, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Apesar da complexidade do tema, Sineia destacou que, quando se fala de gestão territorial, trata-se de um tema em que as lideranças indígenas, mulheres, jovens, sempre fizeram em suas terras. “Quando a gente fala de gestão territorial, estamos falando daquilo que sempre as lideranças, mulheres, jovens, fizeram em suas terras indígenas. Os povos indígenas sempre fizeram gestão”, esclareceu Sineia.

Sobre mudanças climáticas, que a cada ano sofre alterações, com mais chuvas, secas, tem causado mudanças nas comunidades indígenas. Uma discussão que aparentemente é nova no cotidiano indígena, mas que já atingiu o Brasil e o mundo, inclusive as comunidades indígenas, segundo Sineia. Ano passado, na região das Serras, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, município de Uiramutã, ocorreu a maior enchente da região, atingindo mais de 300 famílias e uma população de aproximadamente 900 indígenas, que tiveram suas casas e roças, atingidas pela enchente.

Para auxiliar no monitoramento de mudanças climáticas, o departamento Ambiental do CIR, o único no Brasil, conta o laboratório de Sistema de Informação Geográfica (SIG/CIR), coordenado pelo jovem pesquisador, Genisvan André, do povo Macuxi, que faz todo o mapeamento das terras indígenas e o mais novo sistema, o monitoramento climático, feito através de um aplicativo no celular. Essa ação faz parte da parceria entre o CIR e o Instituto de Pesquisas Amazônicas (IPAM), há dois anos.

Sineia destacou a construção de sete Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) das terras indígenas, construído nos últimos cinco anos e mais dois, o primeiro plano regional contemplando as regiões, Baixo Cotingo e Raposa, iniciado ano passado e validado na 47ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima. Os sete planos, com o apoio da Natureza e Cultura Internacional (NCI) e outros parceiros, já estão publicados e brevemente serão entregue às comunidades indígenas participantes da construção dos PGTAs.

Os PGTAs, segundo Sineia, contemplam a visão de futuro da juventude indígena, apresentada pelos próprios jovens indígenas ao longo do processo de construção. As propostas buscam a melhoria de vida dos jovens indígenas em suas comunidades indígenas.

Nos últimos anos, algumas ações foram implementadas a partir das demandas apresentadas nos planos, como o projeto da castanha do Brasil na Terra Indígena Jacamim, região da Serra da Lua, os viveiros de muda, na Terra Indígena Aningal, contemplando as comunidades Aningal e Vida Nova, região do Amajari, e os projetos de criação de peixe tambaqui na Terra Indígena Boqueirão e café orgânico, na comunidade indígena Mangueira, região do Tabaio. Essas ações receberam parcerias de instituições públicas, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Fundação Nacional do Índio(FUNAI), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia(INPA)  e outros.

Uma das ações de relevância realizada no departamento nos últimos anos trata-se do Projeto Água, realizado na região do Murupú e mais recente, na região do Baixo Cotingo, com pequenos projetos de sistema de água. Uma ação apoiada pela CAFOD, entidade parceira do CIR, contemplou a reforma e construção de bocas de poços de 19 famílias na região, com a participação de mulheres, jovens, agentes ambientais e outros membros comunitários.

O mini projeto contemplou a compra de caixas d`água, bomba e canos de irrigação  beneficiando da região do Baixo Cotingo. “Esses projetos não vão resolver todo o problema da água nas regiões, mas impulsionamos para que as políticas públicas exerçam o seu papel de fornecer água potável para as comunidades indígenas, principalmente, as crianças”, destacou Sineia, sobre o levantamento feito em sete comunidades do Baixo Cotingo, onde diagnosticou grande número de crianças, sem acesso à água de qualidade.

Sineia, que é membro do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC) e coordenadora da Câmara Técnica de Mudanças Climáticas no âmbito da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PNGATI), chamou atenção para o papel do poder público em ações dessa natureza, especialmente, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), para que possa exercer, de fato e de direito, em prol das comunidades indígenas que precisam desse atendimento.

Jovens indígenas no protagonismo do movimento indígena de Roraima

A temática “mídias sociais e o acesso às tecnologias: influência na comunidade” teve como expositora a jornalista indígena Mayra Wapichana, assessora de Comunicação do CIR e o tema “papel da juventude na atual conjuntura do movimento indígena”, os jovens indígenas, Ivo Cípio, vice-presidente da Organização dos Indígenas na Cidade (ODIC), do povo Macuxi, Junior Nicacio, assistente Jurídico do CIR, do povo Wapichana, ambos, estudantes do Curso de Direito e Ademar Cavalcante Filho, do povo Macuxi, Conselheiro Tutelar do município de Alto Alegre e membro suplente do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI). Com a atual conjuntura da política indigenista no país, um total desmonte, o Conselho está suspenso desde o ano passado.

Mayra Wapichana, como é conhecida pela identificação étnica, há dois anos formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), destacou que estar na condição de palestrante é o resultado do movimento indígena. Também pontou que ser formada em jornalismo é ter o compromisso e responsabilidade de dar visibilidade da organização indígena e de toda a luta do movimento indígena de Roraima.

Mayra fez uma breve contextualização sobre as mídias sociais e as tecnologias, instrumentos que hoje, fazem parte do cotidiano das comunidades indígenas, principalmente, pelo acesso à internet que chega com rapidez e facilidade aos indígenas. Destacou que “o desafio não é o acesso, mas como utilizar, sobretudo produzir conteúdos próprios, conteúdos indígenas”.

Como boa influência das mídias sociais e o acesso às tecnologias, Wapichana destacou a criação dos grupos de WhatsApp, utilizados como instrumento de informação, interação e debate sobre diversas questões, inclusive da juventude indígena que já tem um grupo no aplicativo (Juventude Indígena de Roraima), tendo como administradores, a coordenação geral do CIR, coordenadores regionais da juventude e alguns jovens de referência regional. A maior parte dos informes, reuniões e encontros sobre a Assembleia ocorreu no grupo de Whats.

Por outro lado, também alertou para os riscos, perigos e dispersões que o uso da internet pode causa aos jovens indígenas. Citou como riscos, o aliciamento de menores, tráfico de adolescentes e até a vida escolar, que pode ser prejudicada, com o uso excessivo e inadequado da ferramenta.

Como uma das comunicadoras indígenas colaboradoras do livro “Mídias Índios: comunidades indígenas e as novas tecnologias de comunicação” tendo como autor, o jornalista e documentarista Bruno Pacheco de Oliveira, Mayra Wapichana colocou-se à disposição para contribuir, construir e produzir novas alternativas de comunicação indígena.

Entre as mídias a cargo do CIR, na mídia virtual, a organização possui sua página oficial (www.cir.org.br), no facebook e grupo de WhatsApp, todas com a sigla única “CIR”, além da lista de contatos, onde utiliza para enviar informações sobre a organização e comunidades indígenas. As publicações e produções são feitas pela própria assessoria de Comunicação do CIR.

Ivo Cípio, falante da língua Macuxi, estudante do Curso de Direito pela Faculdade Catedral, em processo de conclusão do Curso, é vice-presidente da Organização dos Indígenas na Cidade (ODIC) e exemplo de uma juventude que encara os desafios com coragem e otimismo. De fala breve, porém, objetiva e segura, Ivo deixou mensagem de fortalecimento à juventude indígena de Roraima.

“Quanto mais nos mobilizamos, mais nos fortalecemos na luta. Sozinhos, somos fortes, mas, juntos, somos imbatíveis. Então, sejamos a mudança que nós queremos”, expressou Ivo, também recordando uma simbólica mensagem de Nelson Mandela, geógrafo: jovens, seja a mudança que você quer ver no mundo. Ivo pediu valorização e respeito às lideranças indígenas que lutaram pelos direitos garantidos na Constituição Federal Brasileira.

“O papel da juventude indígena é continuar com o espírito do movimento indígena, criado pelas antigas lideranças indígenas”, iniciou Junior Nicacio, Wapichana, como estudante do Curso de Direito e assistente Jurídico do CIR, é um dos jovens indígenas formados pelo Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), que iniciou a trajetória do movimento da juventude indígena Roraima. Junior participou do primeiro encontro da juventude indígena de Roraima, realizado em 2013, em Boa Vista.

No olhar do Estado brasileiro, Nicacio disse que a juventude está esquecida e violentada, seja indígena, negra, ribeirinha, tradicional, aonde as políticas públicas não chegam a esse público. Junior lembrou o caso de Ovelário Tames, Macuxi, morto em 1989, em uma cadeia pública do Estado, um jovem que não tinha documento. O caso foi reconhecido pelo Estado após 20 anos.

Um dos casos mais recentes que afetou diretamente a vida da juventude indígena, segundo Nicacio, trata-se da destruição do Centro Indígena de Formação (CIFCRSS), em 2005, além do caso conhecido como dos 10 irmãos, baleados, em 2008, durante um trabalho comunitário na comunidade do Barro, região do Surumu. Esses casos, até hoje estão impune.

Destacou também o caso da comunidade indígena Anzol, onde jovens, adolescentes e crianças, tiveram os seus direitos violados, território, educação, saúde e um dos problemas mais graves encarados é a falta de água.

Fazendo um panorama do cenário político brasileiro e dos retrocessos dos direitos indígenas, Nicacio apontou como “moeda de troca” as indicações e ocupação de instituições como SESAI, Funai e outros órgãos que cuidam das questões indígenas.

“A luta hoje não é para termos mais direitos. A luta hoje é para garantir o que já temos”, concluiu Junior, também deixando um alerta à juventude para o ano eleitoral, para que possam dizer “não a corrupção” e ficar atentos aos parlamentares que nunca apresentaram ou defenderam propostas que favoreceram os povos indígenas. Pelo contrário, o que tem são propostas legislativas contra os povos indígenas, conforme dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) que, no Congresso Nacional, existem mais de 33 propostas anti-indígenas tramitando no Legislativo.

Ademar Cavalcante, do povo Macuxi, da região do Tabaio, atualmente, Conselheiro Tutelar do Município de Alto Alegre e conforme indicação na 46ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima, também compõe o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), onde é membro Suplente. Iniciou sua fala agradecendo suas lideranças regionais e afirmando que o espaço que hoje ocupa se deve ao próprio movimento da região e movimento indígena de Roraima.

Cavalcante, um jovem de expressão forte e profunda, falou de respeito e valorização das lideranças indígenas que fundaram o movimento indígena de Roraima e citou a Assembleia, como o ambiente de conhecimento e de batalha, preparados pelas lideranças. “Sempre tivemos e manteremos, o respeito pelas nossas lideranças indígenas, porque nossas lideranças são o pivô desse resultado”, afirmou Ademar sobre o respeito às lideranças. Também lembrou- se dos vários encontros de juventude realizados em pequenos grupos durante as Assembleias dos Tuxauas, onde dialogavam, planejam e construíam grandes momentos, como o da 5ª Assembleia.

Destacou como um dever principal do Conselho, o de “zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes”, ou seja, “não zelar por pessoas, mas por direitos e garantir que seja cumprido o que está no Estatuto da Criança e do Adolescente”, afirmou Ademar.

Painéis com expositores jovens, indígenas, em dois temas importantes para o cenário atual da juventude indígena, é o reflexo do avanço do movimento indígena de Roraima que, entre tantos desafios ao longo dos mais de 40 anos, hoje, podem visivelmente celebrar o fruto e o resultado, como dito várias vezes pelas lideranças indígenas, em um gesto de gratidão e reconhecimento a essa nova geração que abraça com compromisso a causa dos povos indígenas.

Jovens indígenas aprovam deliberações e Carta da 5ª Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima

Como último ato da Assembleia, os jovens indígenas aprovaram 12 propostas destinadas às autoridades públicas e a Carta da 5ª Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima, com repúdio e solidariedade. Na nota de solidariedade ao povo Warao, os jovens indígenas pediram respeito e atenção especial, adequada e diferenciada as suas culturas tradicionais e modos de viver.

Da mesma forma, preocupados com a grave situação do garimpo na Terra Indígena Yanomami, a Assembleia da Juventude, pediu agilidade e rigorosidade das autoridades públicas no combate efetivo ao garimpo ilegal e punição aos financiadores desta prática ilícita que vem matando e contaminado a floresta, os rios e até o povo indígena Yanomami. “A juventude indígena de Roraima clama por justiça”, expressão citada na nota.

Também reafirmaram deliberações da 47ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima, realizada no mês de março, no mesmo local, Centro Regional Lago Caracaranã, local que já é tradicional dos grandes eventos dos povos indígenas de Roraima.

A realização da 5ª Assembleia Estadual da Juventude é o exemplo de que os jovens indígenas estão sim preocupados e preparados para encarar a luta, defender seus direitos e buscar melhorias de vida para a suas comunidades indígenas e o povo indígena. Desde o ano passado, coordenadores regionais de juventude juntamente com a sua base, construíram passo a passo a Assembleia, superando dificuldades e desafios, inclusive da própria organização indígena, porém, com único objetivo de buscar melhorias, alternativas de vida para o jovem indígena, principalmente, aqueles que estão na vulnerabilidade dos problemas sociais que cada vez mais afetam as comunidades e fortalecer sua comunidade e o movimento indígena de Roraima.

Para a Assembleia, além do esforço coletivo dos jovens e das lideranças indígenas, o CIR, também contou com o apoio de instituições, como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Secretaria Especial de Saúde Indígena(SESAI), Universidade Federal de Roraima(UFRR) por meio do Instituto Insikiran  e entidades parceiras que há anos vem apoiando a organização em todo processo de luta da organização e dos povos indígenas de Roraima, Diocese de Roraima, Conselho Indigenista Missionário(CIMI), Embaixada da Noruega, CAFOD, Tebtebba, Fundação Ford, Instituto de Educação do Brasil(IEB), Natureza e Cultura Internacional(NCI) e Instituto de Pesquisas Amazônicas(IPAM).

Confira a Carta na íntegra: CARTA DA ASSEMBLEIA DA JUVENTUDE INDÍGENA DE RR

Fotos: Mayra Wapichana e Wagner Silva(Kapoi)

Texto: Mayra Wapichana

Colaboradora da Ascom/CIR

 

Publicado originalmente: http://www.cir.org.br/site/?p=725

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