FOIRN EM PARCERIA COM O ISA PARTICIPAM DA APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO PROJETO CADEIA DE VALOR FINANCIADO PELA UNIÃO EUROPÉIA

As economias regenerativas de Povos Indígenas e comunidades tradicionais na região do Rio Negro.

Pietro Lazzeri Embaixador da Suíça, Luciane Lima – Foirn, Ignacio Ybañez Rubio Embaixador da União Europeia no Brasil, Marivelton Barroso – presidente da Foirn e Romulo Acurio, Embaixador do Peru. Foto: Reprodução

A convite do Instituto Socioambiental (ISA) e a Delegação da União Europeia, no último dia 03 de maio de 2022 a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), representada por seu Diretor presidente Marivelton Rodrigues Barroso do povo Baré e a Coordenadora do departamento de Negócios Socioambientais Luciane Lima, participaram da apresentação dos resultados e das metas alcançadas nessa parceria do projeto Cadeia de Valor “Territórios da Diversidade Socioambiental” que fomentou formas inovadoras de promover o reconhecimento da economia de povos indígenas e comunidades tradicionais na Amazônia e na Mata Atlântica.

Neste evento estava presente além do embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybañez Rubio, o embaixador da Suíça,  Pietro Lazzeri e o Embaixador do Peru, Romulo Acurio.

Marivelton Baré ressaltou a importância da parceria da FOIRN com o Instituto Socioambiental para ter os trabalhos promissores nos âmbitos do projeto cadeia de valor e produtos da socio biodiversidade, e com a União Europeia que foi o parceiro que acreditou e apoiou essa inciativa apresentada não só para o rio negro, mas também para outros territórios no qual teve atuação.

“Foi uma semente que germinou e acabou crescendo uma arvore que tem uma genealogia de ampliar essa parceria e ter vários resultados nos trabalhos”. Comentou Marivelton

Só no rio negro são 11 cadeias de valores apoiadas com todo o resultado que tem tido os restaurantes, grandes centros no Brasil e em outros lugares do mundo, como a pimenta Baniwa, cogumelo Ianomami, o óleo de Babaçu e entre outras iniciativas dos povos e comunidades tradicionais.

“É um momento inédito, onde também teve diversas influencias como a busca por políticas mais padronizada pelo governo que hoje acabaram reconhecendo uma necessidade de poder investir e comprar os produtos do sistema tradicional agrícola dos povos e comunidades tradicionais, ela poder virar uma merenda regionalizada e assim buscar fortalecer cada vez mais inserção de mercado e economia indígena nesses territórios” Afirma Barroso.

Em comemoração ao dia da Europa, a apresentação foi seguida por um jantar com produtos da Amazônia oferecido pela Chef Bel Coelho, dos restaurantes paulistanos Cuia Café e Clandestino.

FOIRN recebe prêmio pelos trabalhos que fortalecem os direitos dos povos indígenas e a preservação do Rio Negro

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Foto: Aliança pelo Clima

O prêmio “Climate Star” foi recebido pelo presidente Marivelton Rodrigues Barroso no dia 18 de outubro e celebra a parceria de 25 anos com a Aliança pelo Clima. O evento acontece de dois em dois anos. A  cerimônia premiou também 15 municípios europeus por suas atividades que buscam proteger o clima e tornar as cidades sustentáveis. As iniciativas premiadas variam desde de programas sociais que geram empregos e distribuem alimentos a alternativas de mobilidade, manejo e reciclagem do lixo, conscientização sobre as mudanças climáticas e atividades pedagógicas. Ao todo, a Aliança pelo Clima tem 1700 municípios filiados na Europa.

Este evento marcou a última noite de uma viagem da delegação da FOIRN e do ISA que foram à Áustria realizar reuniões com o parceiro de 25 anos, Aliança Pelo Clima (Klimabündnis em alemão). Esta atividade de intercâmbio tem acontecido desde o início da parceria entre FOIRN, Aliança pelo Clima e IEZ e Horizont 3000 em 1993. Este ano, os encontros foram todos na Áustria onde foram percorridos 2400 km passando por 7 estados e 21 municípios. Em quatorze dias de viagem foram realizadas encontros com prefeitos, secretários estaduais, governador, professores e alunos que integram essa Aliança.

Os temas apresentados e debatidos foram centrados nos resultados que a FOIRN alcançou através de seus trabalhos em parceria. Ou seja, a demarcação de 13 milhões de hectares de Terras Indígenas, a estruturação de escolas piloto e o fortalecimento da educação escolar indígena intercultural, a rede de radiofonia, suas iniciativas de comercialização e a loja Wariró e trabalhos de controle social e proposição de políticas públicas.

Outro ponto discutido com essa rede de parceiros foram os desafios da região com destaque para o contexto político de ataque aos direitos indígenas e a movimentos sociais como um todo. Outros desafios mencionados foram a   comunicação, meios de transporte e a ameaça de mineração.

Como disse Marivelton ao receber e agradecer o prêmio, a FOIRN espera que as parcerias cresçam e se fortaleçam para que os direitos indígenas resistam e se efetivem.

Levantamento socioambiental mobiliza comunidades no Rio Negro

Representantes de sete Terras Indígenas participam da primeira Oficina do Grupo de trabalho do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), em São Gabriel da Cachoeira, entre hoje (29/5) e 9 de junho.

Por Juliana Radler

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Coordenadores e lideranças indígenas envolvidas na elaboração dos PGTAs no Rio Negro estarão reunidas em São Gabriel da Cachoeira, entre hoje e 9 de junho, na Maloca da Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), para a primeira Oficina do Grupo de Trabalho PGTA. Durante a atividade, os participantes irão analisar os dados coletados em suas comunidades divididas por 20 sub-regiões no Rio Negro, compreendendo uma população de aproximadamente 30 mil pessoas de 25 etnias diferentes.

A elaboração do PGTA inclui um extenso trabalho de coleta de dados, que foi iniciado em 2016, e agora chega a importante etapa de análise e discussão das informações levantadas em cada área. O processo de levantamento de dados totalizou 369 entrevistas em comunidades e sítios e mais de 3.523 realizadas com famílias que residem em uma área de 11,5 milhões de hectares.

Programação

O primeiro dia da oficina conta com uma mesa de abertura com representantes da Foirn, do ISA (Instituto Socioambiental) e da Funai, parceiros na elaboração dos PGTAs no Rio Negro. Os especialistas de cada organização irão contextualizar e fazer uma retrospectiva do processo de construção dos planos, remetendo ao contexto político atual e à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).

Outro tópico importante a ser abordado é o papel de cada instituição na agenda PGTA no que se refere à comissão política de governança desse processo, que envolve ICMBio, Foirn, Funai e ISA. O Programa Regional de Desenvolvimento Indígena Sustentável (PRDIS), de 2003, e seus impactos para as políticas públicas no Rio Negro também será um importante ponto de análise na oficina.

Vale ressaltar que serão construídos oito Planos de Gestão Territorial e Ambiental, um para cada Terra Indígena (TI) da região do Rio Negro: TI Alto Rio Negro, Médio Rio Negro I, Cué-Cué Marabitanas, Médio Rio Negro II, Rio Apaporis, Balaio e Rio Tea. Além do documento de cada TI, será elaborado um plano único para toda a região de abrangência da Foirn, que definirá os rumos da gestão territorial e ambiental desejada e pensada pelas comunidades indígenas.

A partir de 2/6, a oficina focará na análise dos dados em uma dinâmica de grupos de trabalho (GTs) divididos por área. Nestes grupos assessorados pela equipe do ISA, as lideranças e coordenadores indígenas analisarão dados coletados em suas regiões, tais como: número de escolas em cada comunidade, serviços de comunicação (como radiofonia e telefone público), serviços de saúde, problemas com coleta e gestão do lixo, geração de energia elétrica, produtos produzidos e vendidos (cerâmica, frutas, peixes etc.), compra comunitária de combustível, meios de transporte, fontes renováveis de energia, análise da população, como número de crianças, jovens e idosos, entre outros dados relevantes.

Raio X das comunidades indígenas

O levantamento é uma verdadeira radiografia das comunidades da região, capaz de embasar e estruturar os PGTAs das TIs, fazendo com que elas possam enxergar suas maiores necessidades, prioridades e potencialidades. A ideia é que os planos orientem a chegada de políticas públicas, assim como novas possibilidades de governança para os povos indígenas a partir de parcerias que possibilitem o avanço socioeconômico local e, ao mesmo tempo, valorize práticas e conhecimentos dos diferentes povos do Rio Negro.

As comunidades indígenas participaram da elaboração deste processo desde seu início, em 2015, quando foram feitas consultas sobre temas e prioridades de gestão das comunidades. Informações de cunho cultural também foram levantadas pelas entrevistas familiares nas comunidades, como o número de benzedores, religião praticada, festas populares e aspectos relacionados aos hábitos alimentares, como dados sobre caça e pesca.

Nesta oficina, GTs irão organizar futuras etapas locais de discussão, nas quais os coordenadores e lideranças levarão os dados analisados para debater nas comunidades. Para isso serão definidas metodologias, organização logística e elaboração de agendas de trabalho. A intenção é que em outubro deste ano seja realizada mais uma etapa de trabalho reunindo esse mesmo grupo do PGTA em São Gabriel da Cachoeira. O objetivo do próximo encontro será o de consolidar ideias, fazendo com que os dados levantados por essa ampla e profunda pesquisa gerem propostas efetivas para a gestão territorial e ambiental das Terras Indígenas do Rio Negro.

A elaboração dos PGTAs no Rio Negro conta com o apoio da Fundação Rainforest da Noruega, Fundo Amazônia (FAM)/BNDES, H3000, Aliança pelo Clima e Fundação Gordon & Betty Moore.

Publicado no Blog Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)

Rede de radiofonia indígena do Rio Negro continua crescendo, nove estações foram instaladas no mês de fevereiro

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Comunidade Vista Alegre – Rio Cuyarí

Mais 9 comunidades indígenas da região do Médio, Alto Rio Negro e Rio Içana passaram a se conectar à rede de radiofonia indígena, saindo do isolamento em que se encontravam. Essas comunidades receberam  instalação de estações de radiofonia através do projeto de Fortalecimento de Comunicação das comunidades indígenas do Rio Negro desenvolvido  pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) com apoio da Aliança pelo Clima e H3000.

As comunidades contempladas  estão localizadas nos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira.  Cada estação estação inclui um aparelho de rádio e alguns acessórios, uma antena, uma placa solar e uma bateria.

Para chegar até essas comunidades a  FOIRN através da diretoria e as coordenadorias regionais organizaram logística e transporte, já que são comunidades que ficam distante de São Gabriel, com mais de um dia de viagem. A primeira viagem de instalação ocorreu nos dias 11 a 12 de fevereiro para a região do Médio Rio Negro. A segunda foi nos dias 22 a 23 para a região do Alto Rio Negro e a última viagem aconteceu nos dias 27/02 a 01//03 para a região do Içana.

Sediada em São Gabriel da Cachoeira, a central da Rede de radiofonia indígena  da FOIRN, o 790,  reúne mais de 170 estações de radiofonia, o principal meio de comunicação usada pelas mais de 750 comunidades e sítios  localizadas em todo o Rio Negro (a área de atuação da Foirn inclui municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos – ver o mapa abaixo).

Com a  instalação dessas estações, a rede continua crescendo, garantindo que  Agentes Indígenas de Saúde, professores indígena, estudantes, pesquisadores indígenas e outros usuários tenham acesso a informações importantes para a realização de suas atividades e projetos, fortalecendo assim  as associações de base, comunidades indígenas e o movimento indígena do Rio Negro.

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Comunidade Pirayawara – Rio Içana

E ainda,  facilitar a participação indígena na luta pelos seus direitos, na gestão territorial e ambiental das Terras Indígenas  e no acesso aos serviços de atendimento de saúde e educação e outros.

Nas comunidades contempladas pelo projeto vivem indígenas das etnias Tukano, Baniwa, Dessano, Tariano, Arapaço, Baré, Piratapuia e outras, que são os principais beneficiados pelo projeto. A demanda pela instalação de mais estações de radiofonia continua, e a FOIRN através de parceiros e apoiadores continuará buscando recursos financeiros para a aquisição de mais radiofonias para atender as demandas das comunidades.

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Comunidade Tawá – Rio Negro

As novas comunidades da rede de radiofonia da Foirn

Em Santa Isabel do Rio Negro

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:: Massarabi – rio Negro

:: Aruti – rio Negro

:: Itaiaçu (Placa Solar) – rio Negro

São Gabriel da Cachoeira

:: Tawá – Alto Rio Negro

:: Tabocal – Alto Rio Negro

:: Acabuco – Alto Rio Negro

:: Vista Alegre – Rio Cuyarí

:: Pirayawara – Rio Içana

:: Nazaré – Rio Cubate

– Ainda serão realizadas viagens de instalação nas comunidades do Baixo Uaupés -Tiquié e Alto Uaupés- Papuri.

Povos Indígenas do Rio Negro inauguram Wariró em São Gabriel da Cachoeira

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“Neste momento de alegria e de festa para a FOIRN e para os 23 povos indígenas do Rio Negro, é com muita satisfação e orgulho que cumprimento as autoridades – representantes de instituições locais e parceiras, lideranças indígenas, artesãs e artesãos, por fim, todos os presentes aqui.

Em primeiro lugar quero dizer que é uma grande honra e satisfação tê-los presentes nesta cerimônia solene de inauguração da Wariró. Hoje, 27 de maio de 2016, é uma data especial e simbólica para todos nós indígenas que vivem aqui no Rio Negro. Especial porque depois de muitas dificuldades e persistência, conseguimos ter novamente o novo espaço físico para a Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro. Simbólico porque representa mais uma conquista depois do incidente ocorrido em junho de 2014, quando o nosso Centro de Referência – onde funcionava a loja Wariró foi incendiado de forma criminosa, um momento de muita tristeza para todos nós.

Mas, não desistimos. Após essa perda dolorosa, continuamos a luta. Recebemos incentivos de várias pessoas, de parceiros, apoiadores e, principalmente, das mulheres e homens que contribuíram na construção desta no Casa, incentivos que nos fortaleceram na busca por meios de reconstruir a nossa Wariró.

A Wariró é uma conquista da FOIRN nestes 29 anos de existência.

Quando foi fundada em 30 de abril de 1987, a FOIRN tinha como a principal bandeira de luta a demarcação das terras indígenas no Rio Negro. Essa etapa foi conquistada e após isso veio o desafio de criar meios e formas de desenvolver as a gestão territorial das terras demarcadas e apoiar as comunidades indígenas em suas iniciativas, bem como garantir-lhes o acesso aos serviços públicos que são seus por direito. Foram realizados vários projetos em campos diferentes, como na educação escolar, comunicação, saúde indígena, resgate e valorização cultural, alternativas econômicas e geração de renda, entre outros.

Diante da necessidade de contribuir na geração de renda para as comunidades, através da valorização dos artesanatos produzidos pelos diferentes povos indígenas na região, bem como fortalecer a economia indígena, foi iniciado a discussão de implantação de um centro de comercialização, que resultou na construção da loja Wariró, inaugurada em 2005.

Para nós, indígenas do Rio Negro, os artesanatos são mais que simples artefatos que usamos nos nossos afazeres no dia a dia, como na pesca, na caça, na agricultura e nas cerimônias. Os artesanatos são formas de representar a nossa identidade cultural, contar a nossa história, são instrumentos que guardam nossa rica história e cultura milenar, e que é transmitido de geração para geração.

Por isso, a Wariró representa para nós, além da comercialização de artesanatos,  um espaço de encontro e reafirmação da diversidade de culturas e conhecimentos indígenas do Rio Negro.

Hoje, temos de volta a Wariró,  aonde iremos continuar fazendo a comercialização de artesanatos feitos às mãos e promover o desenvolvimento sustentável dos povos indígenas no rio Negro. Através da Wariró promovemos a valorização do conhecimento tradicional, contribuímos na geração de renda para as famílias, e na  preservação e incentivo às práticas ancestrais através da venda de produtos indígenas.

Almerinda_PublicarEssa reconstrução só foi possível através do apoio de instituições e pessoas que reconhecem a importância desse espaço para os povos indígenas do Rio Negro. Queremos agradecer imensamente a Horizont3000 e Aliança pelo Clima pelo apoio dado para a construção do novo espaço da Wariró – que estamos inaugurando hoje. E também nossos parceiros como o Instituto Socioambiental, Fundação Nacional do Índio – Coordenação Regional Rio Negro, Rainforest da Noruega e Embaixada Real da Noruega quem vem colaborando conosco permanentemente.

Não poderia deixar de agradecer também a diretoria atual da FOIRN pela dedicação e esforço feito para que esta casa fosse construída e inaugurada nesta data.

E termino, não sem antes deixar daqui agradecimento especial para as artesãs e artesãos, lideranças e diretores que passaram na FOIRN, pois, se temos hoje a Casa de Produtos Indígenas do Rio Negro, foi, porque lutaram por isso e conseguiram. E a nossa luta continua!” – Almerinda Ramos de Lima – Presidente da FOIRN.

O projeto Ecoturismo na serra Bela Adormecida está próximo de iniciar a primeira experiência: segunda quinzena de junho

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Realizada mais uma oficina entre 16 a 17 de abril na comunidade Kurika, foz do Rio Curicuriarí pela Associação Indígena Água e Terra – Ahköiwi, dessa vez para definir os próximos passos da construção do projeto.

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Vista aérea da Serra Bela Adormecida. Foto: Ray Benjamim/FOIRN

Levantamento de recursos humanos para o desenvolvimento do projeto, distribuição de responsabilidades e a necessidade de formação para os envolvidos foram algumas das pautas debatidas na segunda oficina realizada na primeira semana de abril.

Os próximos passos da construção do projeto, que já tem uma previsão de iniciar a primeira experiência na segunda quinzena de junho, é a formação de recursos humanos, que envolve a participação de instituições como a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Turismo de São Gabriel da Cachoeira, e outras que já fazem parte do processo desde o início, como a Fundação Nacional do Índio (CR Rio Negro) e a FOIRN.

A oficina de formação está marcada para os dias 28 a 29 de abril na comunidade Jupati, Médio Rio Negro.

Leia também: A discussão do projeto Ecoturismo na Bela Adormecida avança no Médio Rio Negro

Conselho Diretor da FOIRN realiza encontro e faz debate sobre política indígena, gestão territorial, economia e cooperativismo em Terras Indígenas no Rio Negro

A 28a Reunião do Conselho Diretor da FOIRN aconteceu no Teatro Pedro Yamaguchi Ferreira, em São Gabriel da Cachoeira, e reuniu lideranças indígenas, Conselheiros Regionais, representantes de instituições locais e interessados, que somou mais de 70 participantes.

Participantes do Conselho Diretor da FOIRN, realizado em São Gabriel da Cachoeira. Foto: SETCOM/FOIRN
Participantes do Conselho Diretor da FOIRN, realizado em São Gabriel da Cachoeira. Foto: SETCOM/FOIRN

O Conselho Diretor (CD) da FOIRN é um espaço de discussão e debate sobre temas de interesse dos Povos Indígenas do Rio Negro. É nesse espaço que, os Conselheiros analisam e aprovam os relatórios financeiros da FOIRN, e outros assuntos importantes. São Conselheiros do CD lideranças escolhidas pelas associações de base filiadas à FOIRN, e assumem a função a cada 4 anos (paralelamente aos diretores da FOIRN e os membros das Coordenadorias Regionais). São estes, responsáveis em trazer informações e demandas das bases juntos com os coordenadores regionais, como também levam para suas comunidades notícias, resultados de reuniões e eventos promovidos pela FOIRN na sede do município. Mas, durante as reuniões qualquer interessado pode participar e contribuir nas discussões.

Na última semana de fevereiro (24 a 26/02), aconteceu a 28a Reunião do Conselho Diretor no Teatro Pedro Yamaguchi Ferreira, em São Gabriel da Cachoeira. Evento que entre outros assuntos discutiu o tema ” Economia Indígena”, focado em experiências de Cooperativismo em Terras Indígenas do Rio Negro.

Economia Indígena – Algumas experiências

Expositores sobre economia indígenas no Rio Negro. Foto: SETCOM/FOIRN
Expositores sobre economia indígenas no Rio Negro. Foto: SETCOM/FOIRN

Como expositores de experiências já iniciadas ou em andamento, estiveram André Fernando (Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana – OIBI), José Lucas Lemos Duarte (Representante da Cooperativa Indígena de Extração de Recursos Naturais – CIERN ), Nildo Fontes (Diretor da FOIRN), Maximiliano Menezes (Coordenador da COIAB) e Álvaro Tukano.

Nildo Fontes iniciou sua fala lembrando os motivos que levaram os povos indígenas do Rio Negro a fundar a FOIRN, e qual era o contexto social e político provocado pelo contato dos não indígenas no Rio Negro. Destacou a importância da criação da federação para estruturar e fortalecer o movimento iniciado em prol da demarcação e que foi conquistada já no final da década de 1990. E que após a demarcação das terras o foco de atuação a atenção voltou-se para gestão dessas terras demarcadas, tal esforço fez a FOIRN elaborar o Programa de Desenvolvimento Indígena Sustentável do Rio Negro (PRDIS), instrumento que reúne ações integradas, que propõe implementar políticas públicas em parceria com os governos municipal, estadual, federal e organizações não-governamental, e um programa que visa o desenvolvimento regional autônomo e adequado para os povos indígenas do Rio Negro. Nildo lembrou também que um dos objetivos institucionais da FOIRN é apoiar e defender iniciativas que visam a promover a economia indígena sustentável.

Álvaro Tukano e Maximiliano Menezes relataram algumas experiências  de iniciativas de cooperativismo na região do Tiquié ainda nas décadas de 1970. De acordo os relatos todas esses iniciativas não tiveram sucesso, devido problemas de gestão, mas, através delas podem ser tiradas as experiências negativas para fazer diferente e melhor. “Não estamos dizendo aqui que não pode ser criada uma cooperativa, mas, que devemos olhar a aprender com os erros cometidos no passado e fazer diferente agora” disse Álvaro.

José Lucas, apresentou os objetivos e os motivos de criação do CIERN, Cooperativa Indígena de Extrativismo do Rio Negro relatou que um dos grandes desafios atuais no Rio Negro é a geração de renda. E que a cooperativa discutida inicialmente no distrito de Taracúa – Rio Uauapés, e sediada em São Gabriel da Cachoeira, propõe colaborar nesse sentido. Entre outros objetivos da cooperativa está: “Estimular o desenvolvimento socioeconômico sustentável dos indígenas cooperativados através de trabalho de extração e comércio de recursos naturais e minerais existentes em suas terras e sempre tendo muito cuidado com a depredação da ecologia do ambiente”.

André Fernando, relatou o histórico de organização dos Baniwa do Médio Içana, e qual era o contexto que levou a fundação da OIBI, Organização Indígena da Bacia do Içana em 1992, e quais foram os principais resultados alcançados até agora. Entre outros objetivos definidos para organização foi a busca pelo desenvolvimento das atividades de geração de renda para as comunidades. “Após vários encontros de discussões e debates sobre o que queríamos fazer, decidimos fazer a comercialização da cestaria Baniwa. Lançamos a Marca “Arte Baniwa”, relatou André. Após, alguns anos vendendo cestaria para grandes capitais, especialmente do Sudeste, houve troca de gestores e o trabalho parou. E retomamos essa discussão e animados as comunidades, dessa vez, lançamos a “Pimenta Baniwa”, que começamos com uma Casa da Pimenta (Tunuí Cachoeira), atualmente já são duas e com previsão de inauguração de mais duas em 2015”. Em relação ao cooperativismo, André disse que os Baniwa-Coripaco, ainda não experimentaram esse modelo de organização, mas, que alguns tem interesse, mas, para ele, esse formato de organização deve ser ainda mais debatido e esclarecido, para depois, quem tiver interesse, já com conhecimento necessário, criar ou participar de uma (cooperativa).

Após as exposições foi feito um debate sobre o tema Cooperativismo em Terras Indígenas no Rio Negro. Alguns conselheiros do CD questionaram e pediram ao Lucas mais esclarecimentos sobre a área de atuação do CIERN, já um dos objetivos é : “A pesquisa e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território da Amazônia Brasileira”. Em resposta, Lucas disse que, a cooperativa está em construção, mas, que as mudanças propostas serão analisadas e acatadas ou não pelo conselho da cooperativa.

Alváro Tukano elogiou a iniciativa, recomendou e parabenizou o Lucas pela liderança que está tomando pela criação da cooperativa. E que a luta em prol da melhoria pela qualidade de vida deve continuar, mas, que deve ser construída com base nas experiências já adquiridas e de forma coletiva, com a participação de todos os interessados ou envolvidos.

Em resposta a alguns questionamentos referentes ao apoio que a FOIRN está dando a esta iniciativa, Nildo Fontes, disse que a FOIRN não é contra a criação de uma associação ou uma cooperativa que propõe o desenvolvimento regional sustentável, reafirmou ainda que estatutariamente, a federação deve apoiar iniciativas, desde que estejam dentro dos termos da legislação mineral e ambiental e indigenista em vigor, com as devidas autorizações dos órgãos públicos competentes. Em relação à CIERN, de acordo o diretor, o formato de debate e construção deve ser melhor elaborado, pois, territorialidade e diversidade devem ser consideradas e respeitadas no processo de construção da proposta, já que a CIERN tem a proposta de atuar no Rio Negro e contribuir na melhoria de qualidade de vida da população indígena através de geração de renda.

Durante o debate foi proposta a realização de um evento exclusivo para tratar da temática, e dessa forma, trazer mais pessoas das comunidades e convidar pessoas que podem ajudar na discussão e no esclarecimento sobre o assunto Cooperativismo e Mineração em Terras Indígenas.

GTs durante a Reunião do Conselho Diretor. Na foto membros da Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro - CAIMBRN. SETCOM/FOIRN
GTs durante a Reunião do Conselho Diretor. Na foto membros da Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro – CAIMBRN. SETCOM/FOIRN

Em GTs formados por Coordenadorias Regionais, foram apresentadas algumas propostas em relação ao tema, entre elas a aprovação para a realização de um seminário específico sobre o assunto. A FOIRN vai buscar meios de realização deste evento ainda no primeiro semestre de 2015. O Coordenador da CRRN-FUNAI afirmou que irá buscar meios para contribuir na realização deste seminário. “Realizar esse seminário vai ser a forma de a FOIRN contribuir nesse processo de discussão e entendimento, tanto da parte de organização social e territorialidade e quanto da parte de legislação sobre o tema”- afirmou Nildo Fontes.

Outros assuntos discutidos na reunião

Houve apresentação dos relatórios de atividades da Diretoria no período de 2013-2014 da FOIRN. Conselho Diretor e Comissão Fiscal e das Coordenadorias Regionais apresentaram suas atividades debatidas pelos conselheiros e participantes.

Foi feito também um debate sobre a situação atual do Movimento Indígena do Rio Negro e os desafios atuais diante das ameaças aos direitos dos povos indígenas no Brasil, entre elas o desarquivamento da PEC 2015 e a aprovação o substitutivo do Projeto de Lei (PL) 7.735/2014 do deputado ruralista Alceu Moreira (PMDB-RS), que pretende facilitar o acesso de pesquisadores e indústrias aos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade e à agrobiodiversidade. Foi discutido amplamente o que o movimento indígena do Rio Negro precisa fazer para contribuir na luta pela defesa dos direitos indígenas, pois, como já previsto o ano de 2015 não será nada favorável em relação a luta dos povos indígenas pelos direitos conquistados e garantidos na Constituição Federal. “É nessa hora que precisamos estar mais unidos e mais fortes ainda”, afirmou Libório Diniz, liderança Piratapuia.

Outra pauta discutida foi a criação de uma comissão para discutir a participação indígena na política partidária. Experiências foram relatadas e debatidas, houve recomendações por parte dos Conselheiros e posteriormente foram indicados os membros para fazer parte da comissão, tendo um representante de cada regional e algumas lideranças indicadas. Teve representantes dos municípios de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro. “Querendo ou não, acabamos sofrendo as consequencias dos descasos da má gestão dos nossos representantes municipais. Já tivemos experiências negativas? Precisamos aprender com isso e buscar pessoas que podem fazer diferente e melhor. Por isso, precisamos também discutir o tema”- disse um dos conselheiros.

Instituições locais também foram convidados para participar da reunião. Na foto Presidente da Câmara Municipal de SGC. SETCOM/FOIRN
Instituições locais também foram convidados para participar da reunião. Na foto Presidente da Câmara Municipal de SGC. SETCOM/FOIRN

Representes de instituições como a SEIND e Câmara Municipal de São Gabriel da Cachoeira estiveram presentes no último dia e apresentaram as situações atuais dessas duas instituições. Miguel Maia, representou a SEIND afirmando que, de acordo com o governador do estado José Melo a secretaria não será extinta, como estava sendo especulado, e que vai continuar trabalhando para os povos indígenas do estado de acordo com sua missão institucional. Atual presidente da Casa Legislativa de São Gabriel da Cachoeira, Edinho Gonçalves, deixou para o Movimento Indígena do Rio Negro, através da FOIRN indicar um nome para a Câmara Municipal, para acompanhar e contribuir nos trabalhos da Câmara, em relação as propostas e demandas dos Povos Indígenas do Alto Rio Negro.

No dia 26, a reunião do Conselho foi encerrada já noite adentro após garantir mais uma vez um espaço livre para a discussão de questões de interesse dos povos indígenas do Rio Negro e para a tomada de decisões que guiarão as ações da FOIRN nos meses vindouros.

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