FOIRN EM PARCERIA COM O ISA PARTICIPAM DA APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DO PROJETO CADEIA DE VALOR FINANCIADO PELA UNIÃO EUROPÉIA

As economias regenerativas de Povos Indígenas e comunidades tradicionais na região do Rio Negro.

Pietro Lazzeri Embaixador da Suíça, Luciane Lima – Foirn, Ignacio Ybañez Rubio Embaixador da União Europeia no Brasil, Marivelton Barroso – presidente da Foirn e Romulo Acurio, Embaixador do Peru. Foto: Reprodução

A convite do Instituto Socioambiental (ISA) e a Delegação da União Europeia, no último dia 03 de maio de 2022 a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), representada por seu Diretor presidente Marivelton Rodrigues Barroso do povo Baré e a Coordenadora do departamento de Negócios Socioambientais Luciane Lima, participaram da apresentação dos resultados e das metas alcançadas nessa parceria do projeto Cadeia de Valor “Territórios da Diversidade Socioambiental” que fomentou formas inovadoras de promover o reconhecimento da economia de povos indígenas e comunidades tradicionais na Amazônia e na Mata Atlântica.

Neste evento estava presente além do embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybañez Rubio, o embaixador da Suíça,  Pietro Lazzeri e o Embaixador do Peru, Romulo Acurio.

Marivelton Baré ressaltou a importância da parceria da FOIRN com o Instituto Socioambiental para ter os trabalhos promissores nos âmbitos do projeto cadeia de valor e produtos da socio biodiversidade, e com a União Europeia que foi o parceiro que acreditou e apoiou essa inciativa apresentada não só para o rio negro, mas também para outros territórios no qual teve atuação.

“Foi uma semente que germinou e acabou crescendo uma arvore que tem uma genealogia de ampliar essa parceria e ter vários resultados nos trabalhos”. Comentou Marivelton

Só no rio negro são 11 cadeias de valores apoiadas com todo o resultado que tem tido os restaurantes, grandes centros no Brasil e em outros lugares do mundo, como a pimenta Baniwa, cogumelo Ianomami, o óleo de Babaçu e entre outras iniciativas dos povos e comunidades tradicionais.

“É um momento inédito, onde também teve diversas influencias como a busca por políticas mais padronizada pelo governo que hoje acabaram reconhecendo uma necessidade de poder investir e comprar os produtos do sistema tradicional agrícola dos povos e comunidades tradicionais, ela poder virar uma merenda regionalizada e assim buscar fortalecer cada vez mais inserção de mercado e economia indígena nesses territórios” Afirma Barroso.

Em comemoração ao dia da Europa, a apresentação foi seguida por um jantar com produtos da Amazônia oferecido pela Chef Bel Coelho, dos restaurantes paulistanos Cuia Café e Clandestino.

RESULTADO DA SELEÇÃO DE PARCEIROS PARA OPERAR O TURISMO DE PESCA ESPORTIVA DE BASE COMUNITÁRIA NAS TERRAS INDÍGENAS JURUBAXI-TÉA E UNEUIXI

6cc5bedb-9cd0-480a-b1c7-3ee92c6fe61b
Grupo de trabalho no processo de avaliação das propostas. Marcos Mesquita/FUNAI

 

No dia 29 de maio de 2018 foi dado início ao processo de seleção das empresas, pela ACIMRN, FOIRN e comunidades indígenas das Terras Indígenas Jurubaxi-Téa e Uneuixi, com apoio do ISA, FUNAI e IBAMA e acompanhamento do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF – AM), a partir dos Termos de Referência (TI Jurubaxi-Téa e TI Uneuixi).

Foram recebidas 6 propostas para os dois termos de referência, as quais foram analisadas e discutidas em assembleias comunitárias para a escolha das empresas parceiras.

TR JURUBAXI-TÉA

Empresas que concorreram

1 – Consórcio empresarial – Amazon Nemo Turismo LTDA e Tapacauá Viagens e Turismo ME (trecho baixo);

2 – TC Turismo Eireli – EPP (Tuco Tur) (trecho baixo e alto).

Em assembleia realizada entre os dias 11 a 13 de junho de 2018, após ampla análise da documentação enviada, com apoio técnico da ACIMRN, FOIRN, ISA, FUNAI e IBAMA e acompanhamento do Ministério Público Federal do Amazonas MPF – AM, as comunidades São Francisco e Acariquara da Terra Indígena Jurubaxi-Téa, escolheram a proposta do Consórcio Amazon Nemo e Tapacauá para operar em parceria no trecho baixo do rio Jurubaxi e a proposta da empresa Tuco – Tur para operar em parceria apenas no trecho alto do rio Jurubaxi, de acordo com o TR.

Resultado – empresas selecionadas

Consórcio Amazon Nemo e Tapacauá para operar em parceria no trecho baixo do rio Jurubaxi

Empresa Tuco – Tur para operar em parceria apenas no trecho alto do rio Jurubaxi

TR UNEUIXI

Empresas que concorreram

1 – JRS Pesca;

2 – Consórcio Barco Zaltana Recreação e Lazer – LTDA e Angatu Organização de Turismo Sociedade Empresária LTDA – EPP;

3 – MV Glueck (Fishing Business);

4 – Itaicy Fly Fishing Lodge Brasil – LTDA (Itaicy Fly Fishing).

Em assembleia realizada entre os dias 15 a 17 de junho de 2018, após ampla análise da documentação enviada, com apoio técnico da ACIMRN, FOIRN, ISA, FUNAI e IBAMA e acompanhamento do Ministério Público Federal do Amazonas MPF-AM, as comunidades Roçado e São Joaquim da Terra Indígena Uneuixi escolheram a proposta da empresa Itaicy Fly Fishing para operar em parceria com as comunidades no alto rio Uneuixi de acordo com o TR.

Resultado – empresa selecionada

Itaicy Fly Fishing para operar em parceria com as comunidades no alto rio Uneuixi

As empresas escolhidas serão contactadas para receberem instruções relativas aos próximos passos. A FOIRN e a ACIMRN agradecem a participação e o interesse das empresas que apresentaram as propostas e o compromisso dos demais órgãos governamentais e parceiros, que contribuem neste processo de construção coletiva do desenvolvimento sustentável do Médio Rio Negro.

Mais duas oficinas de elaboração de Planos de Gestão Territorial das Terras Indígenas no Rio Negro são realizadas

Foto: Ray Benjamim
Foto: Ray Benjamim

Mais duas oficinas de elaboração de Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) foram realizadas no Rio Negro. Uma em Santa Isabel do Rio Negro (6 a 8/10), que reuniu lideranças indígenas e representantes das organizações de base do médio e baixo Rio Negro, e outra em Tunuí Cachoeira (7 a 10/10), que reuniu os Povos Baniwa e Koripaco, que vivem na região do Içana e afluentes (Aiarí e Cuiarí).

As oficinas de elaboração dos PGTAs no Rio Negro são realizadas pela FOIRN em parceria com o Instituto Socioambiental e com apoio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI – Coordenação Regional do Rio Negro). As coordenadorias regionais e as Coordenações Técnicas Locais (CTLs) são responsáveis pela logística desses eventos.

Os trabalhos tem como base os eixos e objetivos da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas – Decreto 7.747/2015. Uma oportunidade para os povos indígenas discutir políticas públicas, projetos sustentáveis e gestão de seus territórios, que valorize e priorize a identidade cultural e territorial desses povos, que tem sido um dos principais desafios no Rio Negro pós demarcação das Terras Indígenas.

Foram mais de 20 anos de luta pela demarcação das Terras Indígenas no Rio Negro. Hoje ainda continua a luta pela demarcação de mais duas Terras Indígenas, que não foram concluídas, uma no Alto Rio Negro e outra no baixo Rio Negro. Após essa conquista a FOIRN vem desenvolvendo ações de vigilância das TIs, projetos de geração de renda e alternativas econômicas, valorização dos conhecimentos tradicionais, transmissão de conhecimentos tradicionais de uso e manejo recursos naturais, fortalecimento política das associações de base e comunidades, comunicação e entre outros.

Portanto, a construção dos PGTAs dos Territórios habitados pelos povos indígenas do Rio Negro vem fortalecer e potencializar essas experiências que tem como objetivo principal a gestão e governança desses territórios.

Metodolodia

Cada região do Rio Negro irá elaborar seu PGTA a partir de seus conhecimentos tradicionais sobre territorialidade, experiências de contato, de projetos desenvolvidos e especialmente com base nos desafios atuais.

O primeiro passo da construção dos PGTAs tem como atividade principal a realização de mapeamento de territorialidades como as áreas de uso das comunidades e atuações das associações.

Após a realização da primeira oficina, cada região irá elaborar um plano de atividades para dar continuidade da construção do plano, que inclui aprimoramento e aprofundamento de informações levantadas na oficina, através de realização de viagens às comunidades.

Oficina em Santa Isabel do Rio Negro

Participantes da oficina realizada em Santa Isabel do Rio Negro. Foto: Rosilda Cordeiro
Participantes da oficina realizada em Santa Isabel do Rio Negro. Foto: Rosilda Cordeiro

Teve cerca de 150 participantes vindos de 30 comunidades da abrangência dos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

Os participantes apontaram os problemas na prestação de assistência básica de saúde nas comunidades, educação escolar indígena não implementada, e principalmente a demora do reconhecimento e demarcação da Terra Indígena no Baixo Rio Negro que está se arrastando há vários anos.

Os participantes vêem no PGTA um um instrumento fundamental para planejar ações que vão garantir a gestão do território e principalmente sua governança.

Oficina em Tunuí Cachoeira, Médio Içana

Participantes da Oficina realizada em Tunuí Cachoeira, médio Içana. Foto: Ray Benjamim/FOIRN

A oficina realizada em Tunuí Cachoeira, reuniu 140 participantes, vindos de todas as microrregiões do Içana (baixo, médio e alto Içana, Aiarí e Cuiarí).

Os Baniwa e Koripaco realizaram trabalho de mapeamento das territorialidades por comunidades e associações de base, identificando as áreas de uso, como também as potencialidades, que poderão ser transformados em projetos de geração renda no plano.

O Conselho Kaali que está em processo de consolidação será um espaço de governança do território, onde temas importantes serão discutidos e deliberados, e o PGTA irá subsidiar todas as ações nas microrregiões que serão implementados por associações de base.

Os Baniwa e Koripaco apontaram na primeira oficina, a partir de sua história de contato, seus projetos já realizados e em andamento, que o maior desafio hoje saber manejar os recursos que existem atualmente, para garantir futuro às novas gerações.

Esse saber manejar é valorizar e transmitir os conhecimentos tradicionais de uso e manejo de recursos existentes no território, e aliar as novas tecnologias e os conhecimentos científicos no desenvolvimento de projetos que irão garantir a gestão do território.

“ Precisamos fazer um plano de gestão do nosso território que tenha haver com nossa cara, que seja do nosso jeito, pois será um instrumento que iremos usar para cuidar do nosso território” – disse André Baniwa, um dos coordenadores da realização da Oficina de elaboração do PGTA Baniwa e Koripaco.

Saiba mais: Saber manejar no presente para garantir o futuro é o desafio, apontam os Povos Baniwa e Koripaco na oficina de elaboração do PGTA do Rio Içana e Afluentes

Mais oficinas serão realizadas

Até ao final do mês de outubro serão realizadas mais três oficinas de elaboração do PGTA. Uma em Taracúa, Médio Uaupés, que irá reunir participantes do Rio Tiquié e Baixo Uaupés, a outra em Iauaretè que contará com a participação das comunidades do Médio e Alto Uaupés e Rio Pauri, e por último em Juruti, alto Rio Negro, que será exclusiva para os moradores das comunidades do Alto Rio Negro e Xié.

FOIRN desenvolve Rede de Telesaúde Indígena no Rio Negro

 

FOIRN director witnessing milestone moment

Um sonho antigo está finalmente se concretizando. Há anos, a FOIRN vem discutindo formas de desenvolver uma ação voltada para a área de saúde indígena, além de controle social sobre as políticas públicas voltadas para a saúde indígena que vem fazendo desde sua fundação.

Em maio deste ano foi iniciado junto com a empresa canadense e-KSS Inc. o projeto Telesaúde Indígena do Rio Negro. O objetivo do projeto é o levantamento do perfil da saúde indígena das comunidades na região do Rio Negro como forma de promover o decréscimo da mortalidade infantil e materna. E assim, fortalecer a cultura local através do resgate e valorização dos conhecimentos e conhecedores indígenas sobre a saúde. Um exemplo é o mapeamento e resgate das parteiras indígenas como um dos elementos fundamentais desse processo.

Para a realização do projeto, a FOIRN conta com parceria e apoio da e-KSS Inc através do seu Programa “Telesaúde Indígena da Amazônia”, um programa pioneiro de empoderamento indígena cujos resultados representam um comprometimento por meio do “Programa Toda Mulher e Toda Criança” da Organização das Nações Unidas. A e-KSS trabalha com a FOIRN para conduzir pesquisa, transferir conhecimento, promover colaboração, prover assistência técnica, educação e treinamento em saúde, com o objetivo de empoderar os povos indígenas da Amazonia, assegurando desta forma a sustentabilidade de resultados em saúde voltados às mulheres e crianças indígenas.

Experiências iniciais

Em maio, a FOIRN através de suas Coordenadorias regionais, mobilizou as comundidades para indicarem uma pessoa para receber treinamento básico sobre a utilização dos equipamentos do projeto e técnicas de coleta e processamento de dados.

 Com a participação da e-KSS, a primeira etapa da coleta de dados e inicio dos trabalho, foram implantados os pontos na região do Içana em Tunuí Cachoeira (transferida para Assunção), no Uaupés em Taracúa e Iauaretê. No Rio Tiquié o ponto foi implantado em Pari Cachoeira.

Os primeiros três meses de experiência já mostram dados importantes sobre o perfil da saúde nas comunidades implantadas. De acordo com a Francinéia Fontes, Vice-Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas da FOIRN, graças ao Programa de Telesaude Indigena, “Hoje já é possível acompanhar e entender melhor a situação de saúde das mulheres e crianças nas comunidades, e com isso, prever e buscar meios para garantir atendimento a eles remotamente em caso de necessidade”.

O levantamento é feito em parceria e colaboração com os Agentes Comunitários Indígenas de Saúde (ACIS) responsáveis diretos pela saúde nas comunidades indígenas. E após a coleta de informações em forma de planilha, os dados são enviados para o Centro de Telesaúde Indígena do Rio Negro na FOIRN em São Gabriel da Cachoeira, gerido pelo Departamento de Mulheres Indígenas.

De acordo com a Larissa Duarte, 21, da etnia Tukano, responsável inicial na comunidade de Taracuá, o primeiro passo realizado foi a apresentação na comunidade da proposta e esclarecimento dos objetivos do projeto. “Primeiro realizamos a parte de apresentação dos objetivos do trabalho, onde falamos também da importância do projeto para a luta pelos servicos de saúde de qualidade, e principalmente a importância de valorização de nossos conhecimentos relacionados a saúde. ”- disse Larissa Duarte.

Proximos passos

Junto com a e-KSS, as experiências de coleta de dados e gerenciamento de informações vão contribuir para a consolidação do Centro de Telesaúde Indígena do Rio Negro como parte dos objetivos de longo prazo do projeto assinado entre os dois parceiros.

Com isso, será possivel realizar programas como tele-educação em saúde, implementação de modelos eficazes de atendimento visando a integração de serviços de saúde baseados nas medicinas tradicional e ocidental e ainda, a promoção dos trabalhos visando o empoderamento dos povos indígenas do Alto Rio Negro quanto ao controle, acesso e propriedade de toda informação relativa à saúde e à prestação de serviços em saúde. Um resultado imediato do projeto é a capacitação para a triagem de pacientes e diagnósticos à distância, evitando assim uso indevido de recursos financeiros no transporte de pacientes e contribuindo diretamente para a otimização do sistema de saúde indígena.

Terra e Cultura para o bem viver indígena

Blog da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro

Blog II da EIBC Pamáali 2014 a 2016

Bem-Vindo ao blog II da escola Pamáali, localizada no Médio Rio Içana-Alto Rio Negro. Aqui você encontra notícias da região do Alto Rio Negro sobre Educação Escolar Indígena e outros assuntos. Deixe seus comentários!

CAIMBRN

Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro

Blog do Povo Baniwa e Koripako

Nossa presença na Web

Antropologia médica

Diálogos entre pesquisadores latinoamericanos

Lúcio Flávio Pinto

A Agenda Amazônica de um jornalismo de combate

Uma (in)certa antropologia

O tempo, o clima e a diferença

Rio Negro

Blog do Ray Baniwa