FOIRN MOBILIZA LIDERANÇAS EM DEFESA DOS DIRETOS INDIGENAS DOS POVOS DO RIO NEGRO

A leitura da Carta Publica, Manifesto da Foirn Sobre o Desmantelamento da Política Indigenista no Brasil é lida pelo diretor presidente da FOIRN.

Na manhã de quinta feira (23/06), os representantes dos 23 povos indígenas do Rio Negro, eleitos em suas regiões, lideranças indígenas e colaboradores da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), declarou o apoio aos servidores da Funai, indigenistas e a toda a população do Alto Rio Negro que se solidariza com a proteção da Amazônia, das terras e comunidades indígenas, para juntos gritarem por JUSTIÇA e pelo fim dessa gestão de morte da Funai que, hoje em todo o Brasil, se manifestaram contra essa política genocida do governo Bolsonaro em relação aos povos indígenas e seus aliados.

Nos municípios de Barcelos e Santa Isabel do rio negro, ao chamado da Federação, a CAIMBRN, ACIMRN e ASIBA também se organizaram na manifestação em apoio aos servidores da Funai e em defesa dos direitos Indígenas.

Presidente da Asiba – Barcelos
Caimbrn – Acimrn – em Santa Isabel do Rio Negro

A Foirn solidarizou – se em nome das 91 associações de base filiadas à Federação, com todos aqueles que, hoje, estão sendo perseguidos e ameaçados por sua atuação em defesa dos povos indígenas e seus territórios.

Na oportunidade, o diretor presidente Marivelton Barroso fez a leitura da Carta Pública, onde na carta exige que as autoridades competentes cumpram o seu papel constitucional em defesa dos direitos dos povos indígenas. Leia a carta completa aqui.

A Coordenação regional da Funai no Rio Negro vem sofrendo nos últimos anos com a falta de investimentos e com o desmonte da legislação socioambiental e do enfraquecimento proposital das iniciativas de proteção e monitoramento territorial. O quadro de servidores é insuficiente para cobrir as demandas da região, assim como os servidores vêm tendo sua atuação precarizada, com a falta de investimentos e suporte aos trabalhos desenvolvidos junto às comunidades indígenas.

Nos últimos 3 anos as invasões aos territórios indígenas no Rio Negro aumentaram vertiginosamente. Existem no momento registrados pela Funai Rio Negro 10 denúncias de garimpos ilegais na região, assim como denúncias crescentes da atuação do narcotráfico em vários afluentes da margem direita do Rio Negro, como os rios Marié, Téa, Jurubaxi e Uneuixi. A atuação de bandidos na região afeta as atividades produtivas sustentáveis dos povos indígenas, como o turismo de base comunitária e a agricultura, além de trazer medo e insegurança para as comunidades indígenas.

Recentemente, por falta de vigilância no prédio da Funai em São Gabriel da Cachoeira, a sede da Fundação foi furtada, tendo vários motores de voadeiras roubados. Até o momento não houve reposição dos materiais e a sede da Funai continua sem nenhum esquema de segurança no Alto Rio Negro, mesmo nesse cenário de violência crescente na Amazônia.

A manifestação contou com a presença dos colaboradores do ISA,  professores municipais e estaduais e autoridades do poder legislativo representando a câmara de vereadores do município de São Gabriel da Cachoeira.

X ASSEMBLEIA BIANUAL ORDINÁRIA DA NADZOERI

A assembleia contou com a participação de representantes de doze organizações indígenas da bacia do Rio Içana, com o tema Protocolo De Consulta dos Povos Indígenas do Rio Negro – Povo Baniwa e Koripako

A X Assembleia Bianual Ordinária da Organização NADZOERI/FOIRN na Bacia do Rio Içana foi realizada na comunidade Irari Ponta/Baixo Rio Içana, com o tema: Construção e Validação do Protocolo Geral de Consulta dos Povos e Comunidades Indígenas do Rio Negro: Povo Baniwa e Koripako, nos dias 15 a 18 de junho de 2022. 

A assembleia contou com a participação de representantes de doze organizações indígenas da bacia do Rio Içana: ABRIC, AIBRI, ACIRA, UMIRA, OIBI, ACEP, OCIDAI, AIRC, AMIBI, UNIB, AAMI e OICAI. Também estavam presentes lideranças comunitárias, professores Baniwa e Agentes Indígenas de Saúde. Totalizando 130 pessoas, dentre eles jovens, mulheres e homens, de 36 comunidades da bacia do Rio Içana, sendo elas: São José do Içana, Tarumã, Jandú Cachoeira, Aracu Cachoeira, Tunuí Cachoeira, Tucumã Rupitá, Nazaré do Içana, Nazaré do Cubate, Taiaçu, Wainambi, Terra Preta, Ambaúba, Castelo Branco, Boa Vista, Irari Ponta, Camarão do Içana, Camarão do Ayari, Jauacanã, Provenir, Brasília, Vila Nova, Santana do Quiari, São Joaquim do Ayari, Santa Marta, Cabeçudo, Auxiliadora, Ituim, Assunção do Içana, Buia Igarapé, Piraiawara, Canadá, Araripirá, Vista Alegre do Cuyari, Urumutum Lago, Macedônia e Inambu.


Participaram da assembleia as seguintes instituições: Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), através de diretor de referência Nadzoeri Dário Casimiro, Maria do Rosário Piloto Martins, coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas (DMIRN), Belmira da Silva Melgueiro Coordenadora do Departamento de Educação e Patrimônio Cultura, Elson Kene Angelino (Coordenador do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN) e Emilene Lizardo (Secretária da FOIRN); o Instituto Socioambiental (ISA) através da Natalia Pimenta (analista socioambiental), Renata Vieira (advogada), Giselle Sousa (assessora técnica); O Observatório de Protocolos Comunitários, coordenado pela professora da Universidade Federal de Grande Dourados, e representado pelas advogadas Liana Amin, Gisele Jabur e Julia Coimbra; e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) através da participação da Chantelle Teixeira (advogada).

O Coordenador Geral da Coordenadoria NADZOERI, Juvêncio Cardoso da Silva, não estava presente nesta assembleia, portanto, Estevão Fontes Olímpio, fez a leitura da Carta de Justificativa da ausência do Coordenador, por estar se deslocando ao exterior para cumprimento de agenda representando a Escola Eeno Hiepole da Aldeia Canadá/Rio Ayarí, selecionada para participar do Programa Global de Pesquisa-Ação, Fórum Global de Educação Integral e Transformadora, que ocorrerá entre os dias dezoito a vinte e quatro de junho de 2022, na Tanzânia, África.

A assembleia iniciou- se com a primeira pauta: Importância do Protocolo, a luta dos povos indígenas e agenda anti-indígena do governo federal”, apresentado pelas advogadas Renata Vieira e Liana Amin sobre a importância dos direitos dos povos indígenas enquanto luta histórica, e a importância da elaboração do protocolo de consulta como instrumento jurídico de luta para defesa do território, principalmente na conjuntura atual de ataques e ameaças por parte do governo federal.

Foi feito debate referente à segunda pauta apresentada pelas lideranças Plínio e Estevão, com apoio de material em slide sobre: “Contexto político e risco da democracia no Brasil de hoje”.

As advogadas Renata Vieira e Júlia Coimbra apresentaram a terceira pauta da Assembleia, com material de apoio em slide sobre o: “PL de Mineração 191/2020”, relatando sobre as principais deficiências do PL 191/2020 que o tornam inconstitucional e vão de encontro aos direitos e garantias dos povos indígenas.

Durante o evento foi exibido filme documentário: “Protocolos de Consulta: Instrumento para a Defesa de Territórios e Direitos” e as lideranças fazem comentários a respeito.

A quarta pauta sobre a: “Importância do Plano de Gestão Territorial Ambiental – PGTA no contexto do Protocolo de Consulta”, foiapresentado com material de apoio em slide pelo Diretor da FOIRN, Dário Casimiro enquanto uma das etapas do processo de discussão e elaboração dos direitos indígenas para defesa do território.

Maria do Rosário reitera que o PGTA, fundamentado no PNGATI, e o Protocolo de Consulta são documentos que se complementam, com a demanda geral de defesa e garantia dos direitos e do território, assim como do modo de vida.

A quinta pauta da Assembleia, apresentada pelas advogadas Liana Amin e Gisele Jabur a respeito do que é Protocolo de consulta em suas várias fases, bem como as fundamentações legais. Também são apresentados por meio de material de apoio em slides exemplos de Protocolos de Consulta no Brasil de outros povos indígenas.

A sexta pauta da Assembleia é debatida pelas liderançasPlínio, Emerson Ricardo, sobre: “Memória do processo de discussão sobre Protocolo de Consulta Baniwa-Koripako” com a síntese dos relatórios elaborados durante a Conferência de Política Indigenista no ano de 2015, na comunidade de Nazaré do Médio Içana I.

Na sequência, a sétima pauta da Assembleia com a Apresentação do rascunho do Protocolo de Consulta, elaborado durante o I Seminário de Elaboração de Protocolo de Consulta Baniwa e Koripako, no ano de 2019, em Tucumã Rupitá, apresentado pelas lideranças Estevão e Plínio por meio de material de apoio em slides.

No penúltimo dia de Assembleia, foi exibido o vídeo documentário do primeiro Protocolo de Consulta filmado no Brasil, sendo este o do povo Kayapó. E  as lideranças fazem comentários a respeito do vídeo documentário.

A oitava pauta foi debatida na Assembleia com Apresentação da minuta do Protocolo de Consulta Baniwa e Koripako, com as apresentações de cada Associação de Base: (ACIRA, UMIRA, OIBI, OICAI, COSART, OCIDAI, ABRIC). Diretor Dario Casimiro, explicou em português e Baniwa sobre  os grupos de trabalho que foram organizados e a dinâmica de debate do roteiro de perguntas para elaboração e consolidação do Protocolo Autônomo de Consulta do povo Baniwa e Koripako.

Os resultados dos Grupos de trabalho foram apresentados  por Baixo Rio Içana, médio Rio Içana I, Médio Rio Içana II, Rio Ayarí, Alto Rio Içana, pelos respectivos delegados responsáveis, Estevão Olímpio, Plinio Guilherme, Silvério Lopes, Francinaldo Farias, Tuli Melício, Bonifácio José, Maria do Rosario, Belmira Melgueiro, Dário Casimiro e a equipe de assessoria jurídica.

Para formar a Comissão de Revisão, o senhor João Andrade sugeriu na língua Baniwa que a equipe de comissão seja formada pelos cinco coordenadores regionais, a plenária aceitou a sugestão. No qual o diretor Dario Casimiro realizou a formação da comissão com Chantelle Teixeira, Tuli Melício, Plinio, Gisele Jabur, Bonifácio, Julia Coimbra, Maria do Rosário, Renata Vieira, Giselle Sousa, Silvério, Natália e Estevão. O objetivo da comissão foi para revisar as minutas de protocolos de consulta elaborados pelos grupos de trabalho. As respostas que foram apresentadas pelos grupos de trabalho foram comparadas entre as respectivas microrregiões. As respostas que estejam apresentadas em consenso pelos grupos de trabalho foram consolidadas em um documento único para consolidação do Protocolo Geral dos povos Baniwa e Koripako. E as respostas que estavam apresentadas divergentes por alguns grupos de trabalho foram consolidadas em outro documento a parte, que em 18 de junho as microrregiões deliberaram e chegaram ao consenso sobre a inclusão destas questões na consolidação do Protocolo Geral dos povos Baniwa e Koripako.

A décima pauta da Assembleia com a Apresentação da nova proposta de estruturação do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN), por Elson Kene, relatando as atividades desenvolvidas nos últimos dois anos e todas as pessoas envolvidas no Departamento de Gênero e Juventude.

A décima primeira pauta da Assembleia é apresentada por Maria do Rosário com relação à: Consulta sobre a nova proposta de estruturação do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN). Dario Casimiro – Diretor da Foirn, relata sobre a proposta da nova estrutura organizacional do DMIRN, a partir do ano de 2024.

A décima segunda e última pauta da Assembleia é realizada com a apresentação e aprovação das propostas do Protocolo de Consulta por meio de material de apoio em slides por diretor Dário Casimiro, o qual contou com orientações de assessoria jurídica.

A Plenária votou por meio da contagem do levantamento de crachás dos delegados. Ao final, foi aprovado por todas as delegações o “Protocolo Autônomo de Consulta dos Povos Baniwa e Koripako”.

Nesta assembleia foi tratado sobre o Fundo Wayuri, ressalta-se a importância da quitação das contribuições das associações no valor anual de R$50,00 (cinquenta reais) do ano de 2015 até 2018, de forma que de 2019 a 2022, o valor é de R$100,00 (cem reais) por ano.

Quanto ao Fundo FOIRN, referente à frequência de radiofonia, a taxa permanece no valor de R$50,00 (cinquenta reais) por ano, com a recomendação de que as associações quitarem as suas respectivas contribuições desde o ano de 2015 até o ano de 2022.

Durante a assembleia, foram relatadas diversas intervenções de supostos membros do Projeto Calha Norte que ingressaram nas comunidades de Boa Vista, Nazaré do Cubate, Nazaré do Içana, Tayaçu Cachoeira, Assunção do Içana, Castelo Branco, Tunuí Cachoeira, Juivitera, Tarumã, Canadá/Rio Ayari, sem autorização, inclusive com o uso de drones, diante disso, a assembleia deliberou em encaminhar ofícios à Coordenadoria do Projeto Calha Norte, Coordenadoria Regional do Rio Negro da FUNAI e à Justiça Eleitoral.

Ressalta-se que, durante toda a assembleia houve a interpretação e esclarecimento das propostas e das deliberações às línguas Baniwa e Nheengatú.

Encaminhamentos

– Sobre o planejamento da Nadzoeri, foi definido que o seminário dos Jovens e das Mulheres foi adiado para o segundo semestre em data a ser definida;

– A coordenação do departamento de educação não deve ser eleita, mas sim contratada pela diretoria da FOIRN para que o trabalho possa ser desenvolvido e fortalecido com análise de perfis dos profissionais capacitados para o cargo específico.

– Para melhor acompanhamento e avalição dos departamentos DMIRN e DAJIRN deve-se enviar o planejamento anual para associações de base.

– A proposta de reestruturação do Departamento de Adolescentes e Jovens (DAJIRN), foi aprovada pelos jovens presentes na plenária da assembleia.

– A proposta de reestruturação do Departamento de Mulheres (DMIRN) a partir do ano de 2024, foi aprovada em sua maioria pelas delegações presentes na Assembleia.

– Aprovação por todas as delegações do: “Protocolo Autônomo de Consulta dos Povos Baniwa e Koripako”.

– Indicação de delegados por associações para a participação da Assembleia Ordinária da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN, foram indicados vinte delegados da NADZOERI: 1- Plinio Guilherme (NADZOERI); 2-Yolanda Cândido Thomas (UMIRA); 3- Maria de Lima (UMIRA); 4- Silvério Lopes Rodrigues (ACIRA); 5-Simeão Lourenço Miguel (AIRC); 6- Josivaldo Mandu Idalino (OCIDAI); 7- Estevão Fontes Olímpio (NADZOERI); 8- Bonifácio José (OIBI); 9- Isabel Fonseca Dias (AMIBI); 10- Madalena Fontes Olímpio (AMIBI); 11- Edimilson Rodrigues da Silva (OIBI); 12- Alcimara Pereira Antônio (AAMI); 13- Ducineia Melgueiro da Silva (AAMI); 14- Tadeu Cardoso Garrido (UNIB); 15- Túli Melício da Silva (OICAI); 16- Arlei da Silva (OICAI); 17- Francinaldo Miguel Farias (NADZOERI); 18- Juliana Mangulino da Silva (ACEP); 19- Monica Apolinário (OIBI); 20- Laura Martins Almeida (Rede de Mulheres); 21- Jorge da Costa Pereira (ABRIC).

– Compromisso das associações de quitação das contribuições ao Fundo FOIRN e Wayuri até o dia 20 de novembro de 2022, antes da Assembleia Geral da FOIRN.

– Encaminhamento de oficio da NADZOERI ao Juízo Eleitoral da Comarca de São Gabriel da Cachoeira, Coordenação Regional do Rio Negro da FUNAI e Coordenadoria do Projeto Calha Norte para esclarecimentos referentes à entrada irregular de supostos representantes desse Projeto nas comunidades de Boa Vista, Nazaré do Cubate, Nazaré do Içana, Tayaçu Cachoeira, Assunção do Içana, Castelo Branco, Tunuí Cachoeira, Juivitera, Tarumã, Canadá do Rio Ayari, todas localizadas na Bacia do Rio Içana, Terra Indígena Alto Rio Negro.

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER É TEMA DE DESTAQUE NO I ENCONTRO DE MULHERES INDÍGENAS REALIZADO NA REGIÃO DO ALTO PAPURI

A FOIRN promoveu nos dias 2 e 3 de junho o I Encontro de Mulheres Indígenas na comunidade Uirapixuna — Alto Rio Papuri, que reuniu 90 participantes, de 10 comunidades.

Esse Encontro foi prioridade do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN) como forma de ampliar as ações nas bases, especialmente as relacionadas ao combate às violências contra as mulheres. O evento teve apoio fundamental da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauraretê — COIDI.

A FOIRN esteve representada por Janete Alves – diretora da Federação, Larissa Duarte – coordenadora do DMIRN e Belmira Melgueiro – coordenadora do Departamento de Educação e Patrimônio Cultural. Também teve a participação de Dulce Morais – assessora técnica em gênero do Instituto Socioambiental (ISA) e Domingos Lana – representante da COIDI.

O evento contou com a participação de representantes de dez comunidades: São Gabriel do Papurí, Santa Luzia, São Miguel, Waguiá, Anchieta, Uirapixuna, Cabeça da Onça, São Fernando, Santa Cruz do Inambu e Jandiá. O evento foi conduzido por Adonaldo de Souza Dias — Presidente da Associação das Comunidades do Alto Rio Papurí — ACIARP.

Foi realizado um balanço das atividades realizadas pelo DMIRN, especialmente a Mukaturu e a I Oficina de Promotoras Legais Populares Indígenas que foram realizadas em parceria com o ISA, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), a Faculdade Federal do Amazonas (UFAM) e o Instituto Aleema.

Durante o evento também foi apresentado cinco tipos de violências que ocorrem contra mulheres: violência física (conduta que agride fisicamente a mulher); violência psicológica (ameaças e manipulações); violência sexual (relação sexual forçada e impedir o uso de métodos contraceptivos); violência patrimonial (controlar o dinheiro, cartões e telefone da mulher).

Nesse encontro, bem como em outras conversas realizadas com as mulheres indígenas sobre a questão das violências, o consumo excessivo do álcool aparece como sendo um fator intensificador da violência. E uma das formas de enfrentar essa situação crítica é através de mobilização, de informações e experiências compartilhadas entre as mulheres: “precisamos formar mulheres lideranças, sobretudo precisamos ouvir vocês que estão nas bases”.

Após a roda de conversa que possibilitou a troca de informações e relatos de vivências, as participantes foram organizadas em grupos para que pudessem discutir e elaborar o que entendem sobre o que é ser mulher e quais são as pessoas que podem auxiliá-las em casos de violências.

Um dos grupos de trabalho destacou a importância das mulheres indígenas para a defesa dos territórios através do protagonismo. Segundo as pessoas do grupo, as mulheres são protagonistas em todas as instâncias da luta do movimento indígena do Rio Negro, que merecem respeito! Em casos de violências, entendem que as mulheres devem procurar as lideranças de referência para tratar o caso e buscar orientações para resolver a situação: “nós mulheres queremos ser conhecedoras dos nossos direitos, queremos nos fortalecer na nossa caminhada com a ajuda das mulheres que estão no movimento indígena”.

Apresentaram em cartaz o pé de maniwa para simbolizar a beleza e a importância da mulher. “A mulher precisa ser cuidada, assim como a maniwa para produzir boa mandioca precisa de cuidados e ser bem tratada”, destacaram.

Janete Alves destacou sobre a importância do tema e que as mulheres possam cada vez mais ocupar seus espaços e se expressarem, apresentarem suas demandas para melhoria da condição de vida, e do acesso às políticas públicas. E reafirmou que a violência contra a mulher precisa ser pauta prioritária dentro do movimento indígena para que se possa pensar em estratégias de enfrentamento dos vários problemas que causam as violências contra as mulheres.

No fim do Encontro foram distribuídas lâmpadas solares para os representantes das e cada comunidades, São Miguel, Waguiá, Anchieta, Uirapixuna, Cabeça da Onça e São Fernando.

Essa atividade foi realizada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), através do Departamento de Mulheres (DMIRN), em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), com apoio da ERN, RFN, Misereor, Lira e Luxemburgo.

Para saber mais sobre a atuação do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro, acesse: https://foirn.org.br/mulheres/

FOIRN PARTICIPA DA ELABORAÇÃO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DA FAS

Lideranças representantes de organizações indígenas se reúnem para elaborar o plano estratégico em conjunto para identificação de demandas prioritárias para os povos Indígenas com definições e indicadores necessários ao monitoramento.

Através do diretor Dario Casimiro do povo Baniwa e Belmira Melgueiro do povo Baré, coordenadora do Departamento de Educação e Patrimônio Cultural, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), participou da elaboração de planejamento Estratégico da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), nos dias 8 e 9 de junho na comunidade Três Unidos – Núcleo Assy Manana, localizada na área de proteção ambiental (APA) Rio Negro, uma unidade de conservação sob a gestão do governo do Estado do Amazonas em parceria com a FAS.

Esse encontro de lideranças tem como objetivo elaborar um planejamento estratégico de cooperação conjunta agrupando as demandas e necessidades prioritárias dos povos indígenas para a agenda indígena da Fundação Amazônia Sustentável e parceria com as Associações e Federações.

A discussão e elaboração foram coordenadas pela assessoria e consultoria técnica da FAS e Agencia de Cooperação Técnica Alemã – GIZ e, financiado pela Embaixada Real da Irlanda.

Com a participação de lideranças indígenas representantes das associações e organizações Indígenas como a FOIRN, União dos povos Indígenas do Vale do Javari (UNIJAVA), Federação das Organizações dos povos Indígenas de Manaus Entorno (COPIME), Organização Indígena do Povo Paiter Surui (METAREILA), Rede de Mulheres Indígenas do Amazonas(MAKIRA-ETA), Associação de Produtores Etnia Haskariana (ASPREHE), Conselho Geral do Povo Hexkaryana(CGPH), Conselho dos Produtores Satere Mawe (CPSM), Conselho Geral da Tribo Satere Mawe, Associação Comunitário Indígena Agricola Nheengatú Comunidade Terra Preta Rio Negro (ACINCYP), Associação dos Povos Indígenas Apurinã da TI Itiximitati (APIAJ) e Associação Comunitário Indígena Baré de Nova Esperança (ACIBANE).

FOIRN EM PARCERIA COM O ISA REALIZA O VII ENCONTRO DE PRODUTORES INDÍGENAS DO MÉDIO E ALTO RIO TIQUIÉ

O encontro de produtores nessa região foi de suma importância, principalmente para o mapeamento de novas iniciativas no território, devido às especificidades, a falta de escoamento dos produtos agrícolas foi uma das reivindicações mais pedidas pelas lideranças, são diversas demandas para valorizar e levar bons resultados para a região.

O VII Encontro de Produtores Indígenas do Médio e Alto Rio Tiquié da região da coordenadora Diaww’i (Coordenadoria das Associações Indígenas do Baixo Uaupés, Rio Tiquié e Afluentes) é realizada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), através do departamento de negócios socioambientais representada pela coordenadora Luciane Lima, no período de 01 a 03 de junho de 2022, no centro Comunitário Distrital Kumandá e Yaparã Paniku – Distrito de Pari Cachoeira, com a participação de artesãos e lideranças local reunindo aproximadamente 86 pessoas representantes das 07 Associações de base (OIBV, CIPAC, APMC, ATRIART, AIETUM, ACIMET e ETIIC).

Anacleto Pimentel Gonçalves, Professor, liderança e Vice – Presidente da Associação CIPAC, após as boas vindas, o mesmo falou sobre a importância do evento para os povos que vivem na região da Coordenadoria Diawi’i, que fazem parte do Médio e Alto Rio Tiquié. A necessidade de fortalecer a cultura e valorizar os produtos que são feitos pelas associações de base, há uma necessidade enorme de escoamento dos produtos e compradores fixos desses produtos e, também é importante o repasse dos conhecimentos para a nova geração. É um trabalho árduo do movimento indígena e que deve se fortalecer cada vez mais.

As pautas discutidas nesses dias do encontro foram sobre a:

 Contextualização das Cadeias Produtivas de Valor ou Cadeia de Valor, com o objetivo de valorizar a economia indígena, fortalecimento cultural, Território, Meio Ambiente e biodiversidade, Governança e Gestão, como por exemplo, algumas inciativas que estão em execução (Pimenta Baniwa, Mel de abelhas nativas, Cerâmicas tukano e baniwa, entre outros.);

O que é o Departamento de Negócios, Organização e Gestão interna e funcionamento da Casa, apresentação do Fluxo e Gestão Financeira, a coordenadora Luciane Lima esclareceu sobre os indicadores financeiros da casa wariró, que a mesma depende dos recursos da FOIRN para manter funcionários, que ainda não consegue se auto sustentar somente com a venda dos artesanatos da casa, falou sobre as taxas administrativas, a importância da margem da Wariró, a precificação dos artesãos e a necessidade de sustentabilidade financeira da Wariró.

Foram divididos quatro grupos de trabalhos por associações de base, para responder as seguintes perguntas orientadas: O que você espera depois deste encontro? Qual a sua visão a respeito da casa Wariró? Quais são os produtos trabalhados em sua região (artesanato e agrícola)? Qual a maior dificuldade para comercialização de cada produto?

Após a este, foi divido grupos por produtos da matéria prima como o Tucum, Arumã, Cipó Titica, Sorva, avicultura, piscicultura e meliponicultura.

Em 2019, no I Encontro da Arte Wariró foi assinado o acordo de Co-gestão  por produtores de diversos povos, implementado em 2020, com o objetivo de promover a consolidação de uma gestão de negócios de excelência, participativa, transparente, coordenada com objetividade e responsabilidade, tanto para os povos representados, como para os funcionários, diretores e departamentos da FOIRN diretamente envolvidos, e para a rede de parceiros comerciais revendedores e consumidores finais. Esse acordo será avaliado ao final do ano de 2022. O documento poderá ser avaliado em todas as ocasiões que ocorrerem os encontros de co-gestão da Casa Wariró e revisado, quando necessário, no Encontro Geral de produtores. A viabilidade da comercialização via Wariró, envolve a participação ativa dos produtores e associações, na articulação com parceiros comerciais e com a FOIRN em parceria com o ISA.

A Escola Estadual Dom Pedro Massa, representado pelo professor Anacleto Pimentel, o qual apresentou os projetos implementados na escola com inciativa dos professores, alguns pais e os próprios estudantes, pois muitos pais não concordavam, que mais tarde os próprios estudantes pudessem consumir os produtos da piscicultura, avicultura e horta. E hoje essa inciativa esta dando bons resultados, agora a meta é alcançar outras escolas ou comunidades que tem potencial para essas atividades.

“… não devemos só ficar esperando recursos vir de fora, muitas das vezes eu ficava chateado quando projetos não eram aprovados, que a Funai nesse tempo estava mais presente e os prédios escolares estavam em um estado precário, essa era a maior preocupação, então começaram a implementar junto com os pais, alunos e professores algumas atividades como a piscicultura, avicultura e hora, a escola teve essa inciativa e muitos pais não concordaram, mas o pensamento foi que os próprios alunos mas tarde pudessem consumir os produtos”. Disse Profº Anacleto Pimentel – Liderança e vice-presidente da CIPAC.

A coordenação do encontro foi feita por: Luciane Lima (Coordenadora do Departamento de Negócios Socioambientais), Natália Pimenta (Assessora do ISA), Dagoberto Lima (Assessor de Pesquisa e Desenvolvimento Socioambiental), Rosilda Cordeiro (Coordenadora Regional da coordenadoria Diawii).

Por Eucimar Aires – Departamento de Comunicação/FOIRN

I OFICINA INTEGRADA DE CERÂMICA, ARTESANATOS E MELIPONICULTURA NA REGIÃO DO AYARI

|| Foirn através do departamento de negócios socioambientais realiza 1ª Oficina integrada na região do Ayari, com o objetivo de fortalecer a rede de conhecimentos produtivos dessas iniciativas em cadeia da Sociobiodiversidade para geração complementar da renda familiar

 Atividade realizada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), através do Departamento de Negócios Socioambientais, no período do dia 11 a 16 de maio de 2022 na qual a coordenação do Departamento de Mulheres Indígenas também participou da I Oficina Integrada de cerâmica, artesanatos comunidade de São Joaquim do rio Ayari e  Meliponicultura na comunidade Santa Isabel do Rio Ayari.

A cerâmica das mulheres Baniwa é um produto da diversidade socioambiental, fruto de uma tradição compartilhada ao longo dos séculos, uma marca de resistência cultural e também um traço importante da identidade e do protagonismo feminino, que reúne jovens aprendizes e mestras das tradições Baniwa do Rio Ayari em torno de sua autonomia econômica e política.

A cerâmica é a atividade protagonizada pelas mulheres e artesanato pelos homens.

A oficina visa fortalecer a rede de conhecimentos produtivos dessas iniciativas em cadeia da Sociodiversidade para geração complementar da renda familiar. 

Assim foram colocados em prática a definição do Padrão de Qualidade para a  Casa de Produtos Indígenas do rio Negro Wariró.

O objetivo da Primeira Oficina de Meliponicultura é promover entre técnicos e indígenas um espaço de troca de experiências e fortalecer as técnicas de manejo da criação de abelhas nativas sem ferrão na região.

Fortalecer e promover a multiplicação do conhecimento teórico e técnico da prática de manejo de abelhas, de forma a estimular o desenvolvimento e a autonomia no manejo entre os diversos técnicos e manejadores de forma que estes sejam capazes de reaplicar a tecnologia em outras regiões e entre seus grupos multiplicando informações sobre as práticas de forma sustentável.

Essa atividade teve o apoio do Ministério de Clima da Áustria para as atividades de cadeia de valor e da Fundação Nia Tero.

    

X ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DA CAIMBRN|| Construção e validação do Protocolo Geral de Consulta dos Povos e Comunidades Indígenas do Rio Negro

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – Foirn, realiza a X Assembleia Regional Ordinária da Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio Baixo Rio Negro – Caimbrn, que completa este ano 18 anos de existência sendo a última coordenadoria da Foirn a ser criada em 2004, no processo de fortalecimento e regionalização da área de abrangência da organização.

A abertura ocorreu hoje (23/05) no ginásio dos salesianos no município de Santa Isabel do Rio Negro e vai até o dia 27 de maio de 2022, com a mesa de autoridade composta pela coordenação regional da Caimbrn e o diretor presidente da Foirn, referência do Médio e Baixo Rio Negro Sr. Marivelton Baré, com as presenças ilustres de representante do poder executivo municipal, representante do Idam, representante do Dsei, representantes das escolas estaduais e representantes da diretoria das associações Acimrn e Asiba que são referência de sub sede da coordenadoria regional.

Participam da assembleia dez delegados representando as 12 associações de base da região: Ayrca, amik, ahkoiwi,  acibrn, acir, kurikama, acimrn, acirpp, aiacsj, aibad, asiba, nacib

A abertura marcou o momento do início de assembleia com o benzimento tradicional e dança tradicional do japurutu, dança do cariçú, dança das mulheres yanomami kumirayoma e o espetacular dança da maníaka murasi da comunidade de cartucho.

Na abertura o diretor presidente além das demais autoridades composta a mesa enfatiza e frisa a importância do momento registrando os ex coordenadores e ex diretores da Foirn para a região e o momento de diálogo, construção planejamento e oportuno para a construção e consolidação do protocolo de consulta da região Caimbrn.

Nesta Assembleia serão apresentadas e discutidas sobre as atividades das Associações de Base da região; Apresentação do Planejamento de atividades a ser realizada pela CAIMBRN/FOIRN até dezembro de 2022; Grupo de Trabalhos de discussão para elaboração de propostas de atividades, projetos e assuntos gerais para 2023 e 2024 e Oficina para Construção e validação do Protocolo Geral de Consulta dos Povos e Comunidades Indígenas do Rio Negro.

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Bem-Vindo ao blog II da escola Pamáali, localizada no Médio Rio Içana-Alto Rio Negro. Aqui você encontra notícias da região do Alto Rio Negro sobre Educação Escolar Indígena e outros assuntos. Deixe seus comentários!

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Blog do Ray Baniwa