FOIRN EM PARCERIA COM O ISA REALIZA O VII ENCONTRO DE PRODUTORES INDÍGENAS DO MÉDIO E ALTO RIO TIQUIÉ

O encontro de produtores nessa região foi de suma importância, principalmente para o mapeamento de novas iniciativas no território, devido às especificidades, a falta de escoamento dos produtos agrícolas foi uma das reivindicações mais pedidas pelas lideranças, são diversas demandas para valorizar e levar bons resultados para a região.

O VII Encontro de Produtores Indígenas do Médio e Alto Rio Tiquié da região da coordenadora Diaww’i (Coordenadoria das Associações Indígenas do Baixo Uaupés, Rio Tiquié e Afluentes) é realizada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), através do departamento de negócios socioambientais representada pela coordenadora Luciane Lima, no período de 01 a 03 de junho de 2022, no centro Comunitário Distrital Kumandá e Yaparã Paniku – Distrito de Pari Cachoeira, com a participação de artesãos e lideranças local reunindo aproximadamente 86 pessoas representantes das 07 Associações de base (OIBV, CIPAC, APMC, ATRIART, AIETUM, ACIMET e ETIIC).

Anacleto Pimentel Gonçalves, Professor, liderança e Vice – Presidente da Associação CIPAC, após as boas vindas, o mesmo falou sobre a importância do evento para os povos que vivem na região da Coordenadoria Diawi’i, que fazem parte do Médio e Alto Rio Tiquié. A necessidade de fortalecer a cultura e valorizar os produtos que são feitos pelas associações de base, há uma necessidade enorme de escoamento dos produtos e compradores fixos desses produtos e, também é importante o repasse dos conhecimentos para a nova geração. É um trabalho árduo do movimento indígena e que deve se fortalecer cada vez mais.

As pautas discutidas nesses dias do encontro foram sobre a:

 Contextualização das Cadeias Produtivas de Valor ou Cadeia de Valor, com o objetivo de valorizar a economia indígena, fortalecimento cultural, Território, Meio Ambiente e biodiversidade, Governança e Gestão, como por exemplo, algumas inciativas que estão em execução (Pimenta Baniwa, Mel de abelhas nativas, Cerâmicas tukano e baniwa, entre outros.);

O que é o Departamento de Negócios, Organização e Gestão interna e funcionamento da Casa, apresentação do Fluxo e Gestão Financeira, a coordenadora Luciane Lima esclareceu sobre os indicadores financeiros da casa wariró, que a mesma depende dos recursos da FOIRN para manter funcionários, que ainda não consegue se auto sustentar somente com a venda dos artesanatos da casa, falou sobre as taxas administrativas, a importância da margem da Wariró, a precificação dos artesãos e a necessidade de sustentabilidade financeira da Wariró.

Foram divididos quatro grupos de trabalhos por associações de base, para responder as seguintes perguntas orientadas: O que você espera depois deste encontro? Qual a sua visão a respeito da casa Wariró? Quais são os produtos trabalhados em sua região (artesanato e agrícola)? Qual a maior dificuldade para comercialização de cada produto?

Após a este, foi divido grupos por produtos da matéria prima como o Tucum, Arumã, Cipó Titica, Sorva, avicultura, piscicultura e meliponicultura.

Em 2019, no I Encontro da Arte Wariró foi assinado o acordo de Co-gestão  por produtores de diversos povos, implementado em 2020, com o objetivo de promover a consolidação de uma gestão de negócios de excelência, participativa, transparente, coordenada com objetividade e responsabilidade, tanto para os povos representados, como para os funcionários, diretores e departamentos da FOIRN diretamente envolvidos, e para a rede de parceiros comerciais revendedores e consumidores finais. Esse acordo será avaliado ao final do ano de 2022. O documento poderá ser avaliado em todas as ocasiões que ocorrerem os encontros de co-gestão da Casa Wariró e revisado, quando necessário, no Encontro Geral de produtores. A viabilidade da comercialização via Wariró, envolve a participação ativa dos produtores e associações, na articulação com parceiros comerciais e com a FOIRN em parceria com o ISA.

A Escola Estadual Dom Pedro Massa, representado pelo professor Anacleto Pimentel, o qual apresentou os projetos implementados na escola com inciativa dos professores, alguns pais e os próprios estudantes, pois muitos pais não concordavam, que mais tarde os próprios estudantes pudessem consumir os produtos da piscicultura, avicultura e horta. E hoje essa inciativa esta dando bons resultados, agora a meta é alcançar outras escolas ou comunidades que tem potencial para essas atividades.

“… não devemos só ficar esperando recursos vir de fora, muitas das vezes eu ficava chateado quando projetos não eram aprovados, que a Funai nesse tempo estava mais presente e os prédios escolares estavam em um estado precário, essa era a maior preocupação, então começaram a implementar junto com os pais, alunos e professores algumas atividades como a piscicultura, avicultura e hora, a escola teve essa inciativa e muitos pais não concordaram, mas o pensamento foi que os próprios alunos mas tarde pudessem consumir os produtos”. Disse Profº Anacleto Pimentel – Liderança e vice-presidente da CIPAC.

A coordenação do encontro foi feita por: Luciane Lima (Coordenadora do Departamento de Negócios Socioambientais), Natália Pimenta (Assessora do ISA), Dagoberto Lima (Assessor de Pesquisa e Desenvolvimento Socioambiental), Rosilda Cordeiro (Coordenadora Regional da coordenadoria Diawii).

Por Eucimar Aires – Departamento de Comunicação/FOIRN

Produtores indígenas mapeiam novas cadeias produtivas durante ll Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro em Taracuá

ll Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro – Distrito de Taracuá

No período de 16 a 18 de setembro foi realizado o Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro da coordenadoria DIAWI’I, na abrangência do baixo Uaupés e baixo Tiquié e reuniu mais de 100 participantes em Taracuá – Baixo Rio Uaupés.

As principais pautas do II Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro foram: Mapear novas cadeias produtivas da região do baixo rio Uaupés, apresentar a Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro (Wariró) e repassar informações sobre o fornecimento de produtos da agricultura familiar às instituições. A ação aconteceu de 16 a 18 de Setembro do corrente ano, em Taracuá, tendo reunido cerca de 100 participantes no auditório da Escola Estadual Sagrado Coração de Jesus. A organização é da FOIRN, por meio do Departamento de Negócios Socioambientais e Casa Wariró, com parceria do Instituto Socioambiental (ISA) e For Eco.

Liderança histórica do movimento indígena do Rio Negro, o professor Maximiliano Correa Menezes, da etnia Tukano, participou do encontro e, durante a abertura, falou sobre a importância da ação como espaço de valorização da cultura indígena.

“É um espaço muito importante para nós de Taracuá e para indígenas de outras comunidades que estão aqui para discutir assuntos que são importantes, como a valorização da nossa cultura, dos nossos produtos, e, mais que isso, conhecer mais sobre o assunto de geração de renda, da sustentabilidade e economia indígena”, afirmou. Ele destacou a necessidade de discutir a precificação dos produtos e de definir novas cadeias produtivas que podem ser trabalhadas no futuro.

Articulador do Departamento de Negócios Socioambientais da FOIRN, Edison Gomes da etnia Baré lembrou que um dos objetivos do encontro é conscientizar sobre a importância de manter o sistema agrícola tradicional para garantir a soberania alimentar e a geração de renda. “Precisamos sempre pensar em produzir para o nosso consumo, mas também para gerar uma renda complementar”, afirma.

A gerente da Casa Wariró, Luciane Lima, reforçou a importância do encontro como momento para ouvir as demandas e anseios dos produtores indígenas da região da DIAWI´I – uma das cinco coordenadorias regionais da FOIRN -, e esclarecer dúvidas. 

“A Casa Wariró faz parte da coordenação da realização dos encontros de produtores indígenas, estando presente nos encontros para ouvir as demandas, propostas de como a casa pode melhorar no atendimento aos produtores indígenas. A Wariró é casa dos produtores indígenas, por isso precisa estar perto deles”, disse.

Cerâmica Tukano e outras cadeias produtivas

A Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracuá (AMIRT) vem buscando organizar a produção e comercialização da cerâmica Tukano e conseguiu grandes avanços nos últimos anos, resultado de oficinas de fortalecimento com apoio da FOIRN e parceiros.

Nesse momento, a Amirt busca continuar o fortalecimento da produção da cerâmica, mas também estruturar outras cadeias produtivas. 

Produtos do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, considerado patrimônio cultural pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 2010, foram mencionados pelos grupos de trabalho.

Entre as alternativas enumeradas estão tipiti, cumatá, balaio, peneira, urutu, jarra, peneira, batí, aturá, vassoura, samuri, paneiro, jamachim, cuia, cuiupí, maracá, concha, farinha, beijú de vários tipos, maçoca, tapioca, arubé, caxirí, tucupí, quinhapira, pimenta moqueado, arubé, juquitaia, moqueado, piracuí, salgado, popeca.

Os próximos passos do mapeamento será o diagnóstico das potencialidades de cada produto para avaliar a viabilidade de produção e comercialização junto aos artesãos das comunidades.

 “Além da cerâmica produzida pelas mulheres, também produzimos urutus e outros produtos, só precisamos nos fortalecer e valorizar nossos produtos”, disse Sebastião Duarte, professor e liderança tradicional.

Professor Sebastião Duarte – Tukano, Apresentando o GT da Vila Imaculada Conceição

História e economia indígena: exploração no passado

Lideranças indígenas destacaram a importância da juventude e das futuras gerações conhecerem a história dos povos indígenas do Rio Negro e como funcionava a comercialização dos produtos para fortalecer a reflexão sobre o futuro e a luta pelos direitos e território.

“Não muito tempo atrás, no tempo dos patrões que dominaram a região por um bom período da nossa história, eles abusaram de nossos pais e antepassados, trocando produtos industrializados com nossos produtos por um preço injusto”, disse Maximiliano Correa Menezes. “O movimento indígena vem ao longo dos anos trabalhando para garantir que os próprios povos e comunidades indígenas possam discutir a comercialização dos produtos no preço justo e defender seus territórios”, completou.

A direção da Escola Estadual Sagrado Coração de Jesus, onde o encontro aconteceu, incluiu como atividade pedagógica a programação do Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro – da Região Diawi´i. Todas as turmas participaram dos grupos e produziram um relatório diário do encontro, como atividade escolar.

Professor da escola, Sandro Menezes destacou que a formação de lideranças e conhecimentos sobre comercialização e economia indígena são temas de grande importância e devem ser trabalhados na escola. “O artesão, além de comercializar seu produto, precisa saber e conhecer sobre a economia indígena, precisa ser bom negociador. E um momento como esse é uma oportunidade para nossos estudantes aprenderem com os artesãos e as lideranças”, disse.

O estudante Vanderson Sampaio, finalista de ensino médio, diz que os alunos tiveram a oportunidade de participar de uma aula diferente, com temas interessantes como economia e empreendedorismo indígena, além de conhecerem como funciona a Casa Wariró.  

Para Isaias Menezes, gestor da Escola, a comunidade, as lideranças e organizações locais têm o desafio de continuar o trabalho iniciado no encontro. “A Amirt já está fazendo a parte dela. Nós precisamos tomar a iniciativa de dar continuidade aos trabalhos neste encontro: apoiar e fortalecer a produção e comercialização de nossos produtos”, afirmou.

Além da comunidade Taracuá, participaram do encontro artesãos das comunidades Ipanoré, Açaí, Cunuri, Trovão e Matapi do Rio Tiquié.

AGENDA: O próximo encontro de produtores indígenas será na região dos Baniwa e Koripako (Coordenadoria Nadzoeri), na bacia do Içana, na comunidade Vista Alegre, Rio Cuiari, nos dias 28 a 30 de setembro de 2021.

<ll Encontro de Produtores Indígenas do Rio Negro – Distrito de Taracuá>

Encontros promovidos pela FOIRN fortalecem cadeias produtivas e mapeia novos produtos no Rio Negro

Participantes do Encontro de Artesãos realizado na comunidade Arurá. Foto: Eucimar Aires/Foirn

O fortalecimento das cadeias produtivas e o mapeamento de novos produtos no Rio Negro foram os temas do encontro realizado na comunidade Arurá, no Médio Rio Negro, município de São Gabriel da Cachoeira, nos dias 26 a 28 de agosto, e que contou com a participação de mais de 150 artesãos indígenas.

A iniciativa é da FOIRN, por meio do Departamento de Negócios e Casa de Produtores Indígenas, com apoio do ForEco e Instituto Socioambiental (Isa).

Ainda este ano serão realizados mais cinco encontros para discussão do fortalecimento das cadeias produtivas e da comercialização de novos produtos indígenas, propostas que constam nos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) dos Territórios dos Povos Indígenas do Rio Negro como forma de valorizar a cultura milenar dos povos e preservação dos territórios.

Participaram do encontro no Arurá artesãos das associações Acimrn (Associação das Comunidades Indígenas do Médio Rio Negro); Acir (Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas); Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (Acibrn); Ahkoiwi (Associação Água e Terra); Amyk (Associação das Mulheres Yanomami  Kumirayôma); Ayrka (Associação Yanomami da Rio Cauburis e Alfuentes); e grupo de Artesãos da comunidade Yamado e Waruá.

Durante o encontro houve debates e compartilhamentos de conhecimentos e experiências sobre os produtos feitos nas comunidades, alguns já comercializados atualmente e outros ainda não.

Nos grupos de trabalho foram listados alguns produtos em potencial que precisam ser mais divulgados, como destacou o articulador do Departamento de Negócios Socioambientais da Foirn, Edison Gomes Baré.

Edison Gomes Baré fala sobre cadeias produtivas, entre outros, da cestaria de arumã. Foto: Rariton/Acimrn

 “Percebe-se nos trabalhos em grupo que temos várias potencialidades que precisam ser estudadas e organizadas para a comercialização. Nesse sentindo, considerou-se o importante papel da Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro (Wariró) que, junto com o Departamento de Negócios, está começando a trabalhar nesse sentido”, afirmou.

Parte importante do processo da organização e levantamento das potencialidades é o conhecimento do funcionamento e da estrutura organizacional da Wariró pelos artesãos e produtores.

Gerente geral da Wariró, Luciane Lima explica que levar essas informações para os artesãos é muito importante, pois o espaço é a casa dos produtores dos 23 povos indígenas que vivem no Rio Negro.

Atualmente, a Wariró já trabalha com 11 cadeias produtivas. Durante os encontros, essas cadeias serão fortalecidas, enquanto outras serão mapeadas.

 “Tivemos a oportunidade de conversar com os artesãos, tirar as dúvidas. Muitos ainda não conhecem a Casa Wariró. O encontro não apenas promoveu o fortalecimento e a valorização do conhecimento milenar dos povos, como também o do movimento indígena do Rio Negro”, disse.

Mulheres Yanomami apresentam resultado de discussão durante o encontro. Foto: Rariton/Acimrn

Os encontros de produtores indígenas serão realizados em cada regional da Foirn, como Alto Rio Negro (região da Caiarnx), Rio Içana (região da Nadzoeri), Médio Uaupés, Alto Uaupés e Rio Papuri (Região da Coidi), Baixo Uaupés e Rio Tiquié e Afluentes (Região Diawi´i).

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